Seu morador não lê os comunicados. E agora?

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“Mas isso já foi comunicado.” A frase é comum nos condomínios. O aviso foi enviado pelo aplicativo, publicado no WhatsApp e colocado no elevador. Mesmo assim, alguém pergunta o que já estava explicado ou afirma que não foi informado.

É fácil concluir que o morador simplesmente não lê. Eu penso que o problema é mais amplo. Vivemos cercados por mensagens, vídeos e notificações que disputam nossa atenção o tempo todo.

Um artigo recente da revista The Atlantic mostra que continuamos lendo muitas palavras, mas de forma rápida e fragmentada. A publicação cita pesquisas segundo as quais o tempo médio de atenção diante de uma tela caiu para cerca de 47 segundos.

Essa mudança também afeta a vida em condomínio. Muitas vezes, o morador abre o comunicado, lê as primeiras linhas e acredita ter compreendido. Em seguida, compartilha uma interpretação incompleta, que rapidamente se espalha pelo grupo.

Por isso, não basta ao síndico apertar o botão “enviar”. A informação principal precisa aparecer logo no início. O morador deve identificar o que aconteceu, quem será afetado, o que precisa fazer e até quando. Depois, podem vir os motivos, as regras e a fundamentação necessária.

Ser objetivo, porém, não significa ser superficial. Convocações, advertências, mudanças nas áreas comuns e orientações de segurança exigem clareza, contexto e registro. Também considero arriscado transformar o WhatsApp na memória oficial do condomínio, pois mensagens importantes desaparecem entre comentários, emojis e novos assuntos.

A administração deve utilizar os canais adequados e guardar o conteúdo enviado, a data e seus destinatários. Isso não retira do morador a responsabilidade de acompanhar as informações do lugar onde vive.

A inteligência artificial pode ajudar a organizar a redação, mas a conferência e a responsabilidade permanecem humanas.

Para mim, comunicar bem também é administrar, prevenir conflitos e construir confiança. Na era da atenção fragmentada, o desafio é ser breve sem ser superficial, completo sem ser cansativo e firme sem ser hostil. Afinal, comunicado enviado não é, necessariamente, comunicado compreendido.


(*) Advogada, com especialização em Direito Condominial, MBA em Administração de Condomínios e síndica profissional. É presidente da Comissão de Direito Condominial da 43ª Subseção da OAB-MG, em Governador Valadares, e 3ª vice-presidente da Comissão de Direito Condominial de Minas Gerais. Coautora do livro Experiências Práticas em Conflitos Condominiais e apresentadora do podcast Morar360º, atua também como síndica, jornalista e palestrante, com foco na gestão condominial responsável, prevenção de conflitos e comunicação jurídica acessível.

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