Quando até as montanhas caem, o que permanece de pé?

FOTO: Magnific

O que uma tragédia no Himalaia nos ensina sobre a fragilidade da vida e a segurança da fé

Durante séculos, a cadeia de montanhas do Himalaia permaneceu diante dos homens como símbolo de força, grandeza e permanência. É a mais alta cadeia montanhosa do mundo e abriga o Monte Everest, a montanha mais alta do planeta.

O Himalaia nos lembra da grandeza da criação. Seu nome vem do sânscrito e significa “morada da neve”. Suas montanhas parecem transmitir uma mensagem silenciosa de força, estabilidade e permanência.

Mas, de repente, parte de uma geleira entrou em colapso.

Em poucos minutos, uma enorme quantidade de gelo, rochas, lama e água desceu pelas encostas e atingiu comunidades, estradas e estruturas na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, deixando um cenário de profunda destruição.

E aquilo que parecia sólido se transformou em movimento. As imagens que nos chegam do Nepal e do Tibete nos fazem pensar não apenas sobre a força da natureza, mas também sobre a nossa própria existência.

Construímos nossa vida sobre algumas “montanhas” que imaginamos inabaláveis: família, saúde, profissão, patrimônio, relacionamentos, projetos, ministério e sonhos.

Organizamos nossa agenda como se o amanhã estivesse garantido. Fazemos planos para os próximos anos e, muitas vezes, vivemos como se tivéssemos controle sobre aquilo que, na verdade, nunca esteve completamente em nossas mãos.

A Bíblia nos lembra de uma verdade desconfortável: “Vós não sabeis o que acontecerá amanhã.” (Tiago 4:14)

E, quando as nossas montanhas caírem, onde estará a nossa segurança?

A tragédia do Himalaia nos lembra que a vida é frágil e passageira. Nós gostamos de pensar que temos muito tempo. Por isso, dizemos: “Quando eu me aposentar, farei isso”; “quando meus filhos crescerem, farei aquilo”; “depois eu ligo”; “depois eu peço perdão”.

O problema é que o “depois” não está sob nosso controle.

Algumas “montanhas”, inevitavelmente, cairão. A saúde pode mudar. O dinheiro pode desaparecer. Os planos podem ser interrompidos. Pessoas que amamos podem partir. Portas podem se fechar. Projetos podem fracassar.

Deus não nos promete que nossas montanhas nunca cairão. Ele nos promete que estará conosco quando elas caírem. O salmista declara:

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares; ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Salmo 46:1-3)

Quando a montanha cai, a fé não precisa cair com ela.

Os montes podem se mover, mas Deus continua sendo refúgio. Essa é a diferença entre uma fé construída sobre as circunstâncias e uma fé construída sobre Deus.

Talvez essa seja uma das grandes perguntas que a tragédia do Himalaia nos deixa: “Sobre o que estamos construindo nossa própria vida?”

Chegará o dia em que perceberemos que nenhuma segurança terrena é absoluta.

Por isso, a tragédia não deve nos levar a julgar as vítimas, como se pudéssemos explicar o sofrimento delas a partir de seus méritos ou de seus erros. Mas podemos permitir que aquele acontecimento nos confronte pessoalmente e nos leve a rever nossas prioridades.

O Salmo 46 termina com uma ordem que talvez seja uma das respostas mais necessárias para o nosso tempo: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” (Salmo 46:10)

Em um mundo marcado pela pressa, pelo medo, pelas tragédias e pelas incertezas, talvez precisemos novamente aprender a parar, a reconhecer nossos limites, a abraçar quem amamos e a pedir perdão enquanto há tempo. Porque até as montanhas podem cair.

Mas, quando elas caírem, descobriremos onde realmente estava a nossa segurança. Não podemos impedir que algumas montanhas caiam. Mas podemos decidir sobre qual Rocha construiremos nossa vida.


(*) O autor é pastor da Primeira Igreja Batista de Governador Valadares, psicólogo, professor universitário e presidente da Junta de Educação do Colégio Batista Mineiro | @heliopib

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