Sepulcros caiados

Viver em sociedade e dela participar se traduz em compartilhar regras, respeitar diferenças e colaborar ativamente para o bem comum de todos, em especial dos menos favorecidos pela sorte. É pregação geral, principalmente por parte daqueles que detém maior visibilidade.

Em dimensão maior a participação social implica no envolvimento ativo de pessoas na formulação, execução e fiscalização de políticas públicas e decisões de mandatários. Na prática, por razões óbvias, resultados pífios, revoltantes e degradantes. Este ano tem espetáculo? Tem, sim senhor.

Diferentemente do primeiro setor (União, Estados e Municípios) e do segundo setor também (empresas com fins lucrativos), em uma sociedade civil organizada, fundações, associações, entidades filantrópicas e ONGs, sintetizam o algo diferente naquilo que se denominou de terceiro setor, atuando sem finalidade lucrativa, exercendo atividade de interesse social.

Em tudo, por tudo e entretanto, encargos e obrigações legais foram e continuam inseridas nos dispositivos legais pátrios, não cabendo ao ente federativo – União, Estados e Municípios, omitirem-se e ausentarem-se no enfrentamento de nossas mazelas sociais, violência que praticam dia sim, outro também. Sob os olhares de quem, meu caro Bolivar?

Em nosso dia a dia, ouvimos discursos de efeitos para todos os gostos. Todas nossas mazelas serão atacadas e resolvidas. E o vírus é contagiante. E grande é o número de infectados. Muitos encontros, muitas reuniões, muitas promessas, muitas palavras atiradas ao vento e cenas revoltantes em quantidade e qualidade, para ninguém botar defeito. Pobre RAINHA, antiga Princesinha do Vale.

Dar um “sim” implica em decisão consciente no comprometimento em relação a alguém, a alguma demanda, empreitada ou projeto. Responsabilidade que aos olhos de outros, além do exemplo, provoca e desperta ânimo e disponibilidade em servir, em outros tantos.

O engajamento no terceiro setor pode ser na participação de ações rápidas e temporais, sem vínculo de longo prazo. Tendo disponibilidade, pode ainda com definição de dia, horário e tarefas. Numa dimensão maior, funções diretivas, participação em Conselhos. Cabível também, divulgação de campanhas e busca de recursos. É oportunidade ímpar para os envolvidos em redes sociais.

O problema está no “lero”, “lero”, na falta de comprometimento. Quase ninguém tem tempo ou não querem mesmo se comprometerem. Pagam impostos ou sonegam, mas entendem que tudo é dever do Estado (União, Estados e Municípios), figuras dantescas segundo determinado Rei de França.

Com muita tristeza a constatação de estarmos diante de muitos, em diferentes situações, assemelhados aos Sepulcros Caiados, tão bem explicitado pelo Evangelista Mateus: “muitos bonitinhos, simpáticos e de palavras fáceis”, porém, na realidade, indiferentes ao sofrimento do próximo. Imundice para ninguém botar defeito. De fazer inveja aos “nossos lixões periféricos”.

Todos os dias, deparamos com realidade que exigem mais do que apenas críticas e lamentações. Exigem atitudes. Onde o ESTADO não consegue chegar sozinho, associações do terceiro setor atuam, transformando realidades, acolhendo vulnerabilidades e construindo pontes para um futuro melhor.

Mudar o mundo não é tarefa para uma única pessoa, mas para toda a sociedade. O terceiro setor não pulsa sozinho. Quando você apoia, participa, se voluntaria ou engaja, você está investindo no futuro da sociedade. Fortalecer o terceiro setor é garantir que a solidariedade se transforme em impacto estrutural e permanente.

Às vezes vamos, semanalmente, a uma Igreja ou a um Templo do Senhor. Ouvimos, ouvimos, ouvimos e damos por cumprida nossa atividade semanal. Não restou tempo para observar nossas calçadas, nossos sinais de trânsito, nossos lixões e as filas do sistema de saúde. Temos outros propósitos, compromissos e opções… assim caminha a humanidade.

SEPULCROS CAIADOS, os temos diante de nós. Bem pintados, bem cuidados, de boa arquitetura e de apresentação externa da melhor qualidade. Porém, por dentro, odor insuportável, ossos fragmentados e não identificáveis. “Valha-nos Criador do Universo”.


(*) Ex-atleta

N.B. 1– Condutas e procedimentos de árbitros, auxiliares, turma do VAR e de quem não se sabe mais, estão influindo em resultados de jogos de futebol em nosso país. Tá cheirando mal.

N.B .2 – Paulo César de Oliveira, antigo árbitro de futebol, hoje consultor de arbitragens, parece estar assistindo jogos diferentes àqueles em que está emitindo análise e opinião. Proibido de dizer a verdade?

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