Intolerância Fantasiada: Quando Zombar da Fé Não é Arte

Imagem criada por inteligência artificial

Não sou afeito ao Carnaval, mas foi impossível ignorar o que vimos este ano: a zombaria aberta da fé cristã sendo tratada como “arte” no desfile da Escola de Samba “Acadêmicos de Niterói”, no Carnaval carioca.

Entre carros alegóricos e fantasias, a dita “escola” levou para a avenida um enredo que chamou atenção pela ousadia disfarçada de arte: transformar cristãos — na ala intitulada “conservadores em conserva” — em alvo de chacota pública.

Não foi crítica, nem criatividade — foi desrespeito. E, se alguma outra religião tivesse sido ridicularizada daquela forma, a reação seria completamente diferente. Os carnavalescos de Niterói ultrapassaram a linha que separa a crítica social da intolerância religiosa.

Rotular cristãos como “conserva” (no sentido pejorativo) demonstra uma visão preconceituosa e reducionista desse grupo da sociedade brasileira, ainda frequentemente retratado como atrasado, ignorante ou engessado no tempo.

Uma rápida pesquisa na internet daria aos autores a informação de que, ao longo dos séculos, a fé cristã preservou — ou “conservou” — aquilo que o tempo não corrompe e que é essencial para qualquer sociedade organizada: a dignidade humana, a defesa da vida, a justiça, a família, o amor ao próximo e a esperança em um futuro melhor.

É o Cristianismo que defende, desde sempre, valores tão falados na sociedade atual como: diversidade, inclusão, pluralidade, acolhimento e respeito às diferenças. Contudo, essa mesma sociedade — quando se trata de cristãos — frequentemente pratica uma estranha “tolerância seletiva”, em que o respeito se transforma em desprezo cultural, patrocinado pelo dinheiro dos impostos. O deboche vira espetáculo, e o escárnio, samba-enredo.

Somos “conserva”? Depende. Se “conserva” significa: guardar princípios inegociáveis, preservar a fé em Cristo, não ser moldado por pressões ideológicas passageiras, defender aquilo que dignifica a vida humana… então sim, somos conserva — no melhor sentido.

Afinal, Jesus nos chamou de sal da terra, elemento que preserva e impede a corrupção moral e espiritual: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?” (Mateus 5:13)

Por outro lado, se “conserva” significa: ignorância, atraso, falta de pensamento crítico, inimigos do progresso… então não — essa fantasia não nos cabe e não resiste a cinco minutos de honestidade intelectual ou de leitura histórica.


(*) Pastor da Primeira Igreja Batista de Governador Valadares e presidente da Junta de Educação do Colégio Batista

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