Caminho perigoso

Depois de dez temporadas dirigindo o Manchester City da Inglaterra, o consagrado treinador de futebol Pep Guardiola anuncia, com um ano de antecedência e por iniciativa própria, sua saída do clube da terra da rainha, um dos maiores do mundo.

O atual comandante da seleção canarinha, Carlo Ancelotti, por inúmeras temporadas esteve à frente de grandes clubes europeus, com destaque para o Real Madri, clube em que ganhou títulos aos montes, fez história e é idolatrado e respeitado por dirigentes e torcedores.

Em passado distante, no futebol brasileiro, consagrados treinadores se eternizaram à frente de grandes e famosos clubes conquistando títulos, revelando atletas aos montões e escrevendo histórias que integram o nosso anedotário e que jamais serão esquecidas.

Luis Alonso Pérez- o LULA, foi técnico do glorioso Santos Futebol Clube da baixada santista durante doze anos e conquistou títulos aos montões. Teve o privilégio e capacidade para dirigir um invejável grupo de atletas de futebol cuja virtude maior era e foi a de jogar um futebol de encantar a todos, torcedores ou não do clube.

Na década de 60, por seis temporadas, o paraguaio FleitasSolich esteve à frente do Clube de Regatas do Flamengo, revelando Zagallo, Dida e Evaristo, dentre tantos. Tempos em que para o “mengo” vieram, também, Garcia, Chamorro e Benitez, todos eles paraguaios. Após o sucesso no Flá, mandou-se para o Real Madri, levando Didi e Canário.

Inúmeros outros consagrados técnicos se eternizaram e fizeram histórias no futebol brasileiro, podendo serem mencionados Flávio Costa, Osvaldo Brandão, Alfredo Zezé Moreira, Oto Glória. Ondino Vieira, Sylvio Pirillo, Vicente Feola, Aimoré Moreira e gente que não acaba mais.

Posteriormente surgiram Telê Santana, Murici Ramalho, Vanderlei “criador de casos” Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari, Carlos Alberto Silva, Carlos Alberto Parreira, Ênio Andrade, Paulo Autuori, Nelsinho Batista, Fernando Diniz e … muita gente em quantidade.

Em nosso país continental, atualmente ocorrem disputas futebolistas de cunho profissional em cinco séries, o que envolve várias categorias de atores e consequentemente um considerável número de técnicos de futebol, também conhecidos como “treineiros”.

O comércio ou inferno que virou o futebol profissional ocasionou e tem ocasionado situações em percentual altíssimo em que, torcidas organizadas, que de organizadas nada têm e um grupo numeroso de midiáticos desequilibrados, de formação e caráter duvidosos, praticamente decidem o prazo de validade de um treinador à frente de uma equipe, não importando se grande, média ou pequena. Verdadeiro inferno astral.

Querem e exigem títulos, vitórias impossíveis, resultados mirabolantes, criticam escalações e posturas em campos por ocasião de jogos, como se fossem donos absolutos de verdades. Verdadeiros parasitas que ameaçam, pressionam e levam dirigentes de clubes a cometerem loucuras de todo o tipo, inclusive de cunho financeiro.

O que é um planejamento? A que visa? Não seria razoável respeitar contratos assinados, em especial prazo de vigência/duração, salvo situações excepcionais? O correto não é ou não seria assegurar ao profissional condições mínimas de trabalho, acompanhando, fiscalizando e avaliando?

A vulgarização na dispensa de treinadores no futebol brasileiro em decorrência de pressão de torcedores e “pitacos” da imprensa se reveste de uma postura infeliz e desrespeitosa, revestindo-se ainda de fragilidade e incapacidade gerencial de nossos dirigentes.

É um caminho perigoso, não recomendável e que mostra para o mundo lá fora o quanto carece de reformas o futebol brasileiro que um dia, dentro de campo, foi o melhor do mundo. Reformas em todos os sentidos, inclusive de cunhos ético e educacional.

(*) Ex atleta

N.B. l –RiccaPerrone continua fazendo sucesso com seus comentários e coragem para dizer verdades envolvendo figurões do mundo da bola. Tem sobrado para muita gente boa.

N.B.2 –Sofrível a educação, se existente, dos atletas brasileiros quando da formação na base. Hábitos reprováveis, atitudes inconvenientes, orgulho em demasia e falta de humildade e respeito em relação a seu contendor. Só sabem ganhar…

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