Tiro de Guerra

Lá para as bandas da década de 60 e sob a batuta do sargento Junô Serafim da Silva, desfilava garbosamente nos arredores do hoje Bairro Grã-Duquesa –a famosa área rural conhecida como “balança” naqueles temos, um dos agrupamentos do Tiro de Guerra em Governador Valadares.

Entusiasmados, a rapaziada entoava o “um, dois três, quatro; quatro, três, dois um. O TG 74 é o maior “. Foi, era, é continua sendo. Os demais agrupamentos tinham, respectivamente, os comandos de Edjalma Alves Ramos “o cri cri”; de Benedito Jairo Araújo e de Vitor Hugo, este último, o grande comandante do TG da então rua Sete de Setembro, proximidades da CEMIG.

Mais precisamente no ano de 1966, marcada ficou a participação do Tiro de Guerra na disputa do campeonato valadarense de futebol de salão, uma promoção e realização da Rádio Por Um Mundo Melhor, com a coordenação técnica de sua excelência Sebastião “Carioca” Nunes.

Final de campeonato e embolados em igualdade de pontos, restaram o Sexto Batalhão da Polícia Militar, o poderoso Colégio Presbiteriano, o tradicional Figueira Tênis Clube da Praça de Esportes e os jovens integrantes do TG. A apertada quadra de cimento da rua Prudente de Morais, nas dependências da Primeira Igreja Batista, testemunhou o quadrangular final.

Junô e Edjalma comandaram um grupo cheio de entusiasmo e de muita condição física que venceram, de forma surpreendente, o Sexto Batalhão da Polícia Militar, o Presbiteriano e empataram com o Figueira, tornando-se assim campeão da disputa. É claro que a algazarra do atirador “Célio” à frente dos atiradores-torcedores, fez a diferença. Falamos do mesmo CÉLIO dos corredores do Democrata.

Grupo que tinha e teve, João Mosquito (Júlio Gama), Luizinho (Toninho Cachoeira), Nagel (Maduro), Roberto Felipe (Brandão) e Alcindinho Abreu (Lado). Diz aí meu caro Bolivar; nada querendo dizer, passe a bola para o doutor Gilberto Boechat.

Muito mais do que a parte esportiva, a convivência por mais ou menos nove meses submetendo-se a todo o tipo de instruções, movimentações e atividades físicas, interagindo ainda com setores importantes da sociedade civil, permitem ao atirador formar ou melhorar o seu caráter, ter uma visão de vida e preparar-se minimamente para a caminhada terrestre.

Saudades, amizades e histórias restaram de nossa passagem pelo Tiro de Guerra no ano de 1966. Quantos não mais estão entre nós. Quantos aí estão brilhando e dignificando a vida terrena, contando histórias e testemunhando que “servir” ao Tiro de Guerra, muito mais do que uma obrigação, é uma dádiva DIVINA.

Um passarinho inconveniente, abelhudo e indisciplinado, anda cantando uma musiquinha desagradável, dizendo que há uma “manifesta vontade e iniciativa visando o fechamento do Tiro de Guerra, em Governador Valadares”. Inacreditável e inaceitável.

Em um país em que recursos públicos são torrados de forma irresponsável, para não dizer, em determinadas situações, até mesmo criminosa, falar no fechamento de uma unidade de Tiro de

Guerra em um município do porte de Governador Valadares, visando reduzir gastos, é hilário, revoltante e inaceitável. Deve ser brincadeira. Primeiro de Abril já se foi, faz tempo …

Normalmente uma unidade de Tiro de Guerra é mantida mediante convênio entre o Exército e o Município, cabendo ao primeiro disponibilizar instrutores militares, fardamento e armamento, enquanto ao município cabe prover a infraestrutura física. Civismo, cidadania, patriotismo, disciplina e responsabilidade social se fazem presentes.

Se prestar serviço militar é uma obrigação, há de se disponibilizar a uma parcela de nossos jovens as condições para cumpri-las. Unidades de Tiro de Guerra onde não existem quartéis é a solução simples e objetiva.

Mais do que uma instituição de cunho militar, o Tiro de Guerra é, verdadeiramente, um patrimônio da sociedade, eis que, além de proporcionar condições para o cumprimento da lei do serviço militar, oferece ao jovem do interior, em especial, a oportunidade de servir à Pátria e contribuir na defesa de seu país. Fechamento, NÃO.

(*) Ex atleta

N.B. 1– Valores estratosféricos nas transferências de futebolistas mundo afora sintetizam frieza, descompromisso e indiferença de grupos financeiros que se apoderaram da maioria dos clubes tradicionais e famosos em relação às mazelas do nosso mundo. Guerras, fome, miséria …

N.B .2 – Comportamentos em campos de nossos futebolistas inviabilizam condições de normalidade para que nossos árbitros dirijam de forma sóbria as partidas para as quais são escalados. Marmanjos sem formação alguma …

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