Nos últimos anos, um golpe tem feito muitas vítimas em Governador Valadares e em diversas cidades mineiras e brasileiras. O criminoso copia a foto de um advogado ou de um escritório, cria um perfil falso no WhatsApp e entra em contato com clientes dizendo que saiu uma decisão favorável no processo ou que existe um valor disponível para recebimento. Em seguida, pede uma transferência, o pagamento de uma taxa ou dados bancários. A conversa costuma ser convincente porque o golpista conhece informações sobre a ação judicial e fala como se realmente acompanhasse o caso.
O primeiro cuidado é simples, mas faz toda a diferença: desconfie de qualquer pedido de dinheiro feito por mensagem. Advogados não solicitam depósitos de última hora para liberar valores de processos. Se receber uma mensagem inesperada, interrompa a conversa e procure o profissional pelo telefone que você já conhece ou entre em contato diretamente com o escritório. Alguns minutos de conferência podem evitar um prejuízo que, muitas vezes, representa anos de economia.
Também vale observar alguns sinais. O número de telefone é diferente do habitual? A pessoa demonstra pressa e diz que o pagamento precisa ser feito imediatamente? Insiste para que você não conte a ninguém? Esses são comportamentos comuns em golpes. O criminoso tenta criar um clima de urgência justamente para impedir que a vítima reflita, confirme as informações ou peça orientação a um familiar.
É importante lembrar que esse tipo de fraude não prejudica apenas quem perde dinheiro. Advogados e advogadas também são vítimas. A imagem profissional é usada sem autorização, a reputação fica ameaçada e muitos passam horas tentando avisar clientes e registrar boletins de ocorrência. Trata-se de um problema que afeta toda a relação de confiança entre o cidadão e a Justiça.
As autoridades policiais têm realizado investigações e orientam que toda tentativa de golpe seja comunicada imediatamente. Além do boletim de ocorrência, é importante guardar prints das conversas, números de telefone, comprovantes e qualquer informação que possa ajudar na identificação dos criminosos. Quanto mais informações forem reunidas, maiores serão as chances de interromper a ação dessas quadrilhas.
Mas há outro ponto que não pode ser ignorado. Empresas de tecnologia que administram plataformas como WhatsApp, Instagram e Facebook, pertencentes à Meta, também precisam investir continuamente em mecanismos mais eficientes para identificar perfis falsos, impedir a clonagem de imagens e agir com rapidez diante das denúncias. Milhões de pessoas utilizam essas ferramentas diariamente, e a segurança deve acompanhar esse crescimento. Combater esse tipo de fraude não é responsabilidade apenas das vítimas ou da polícia; é um desafio que também envolve quem oferece e administra essas plataformas.
A melhor defesa ainda é a informação. Antes de fazer qualquer pagamento ou fornecer dados pessoais, confirme a identidade de quem entrou em contato. Desconfie da pressa, converse com seu advogado pelos canais oficiais e nunca tome decisões impulsionado pelo medo ou pela urgência. Em tempos de golpes cada vez mais sofisticados, a cautela continua sendo a forma mais eficaz de proteger o patrimônio, a tranquilidade e a confiança das pessoas.
(*) Professor universitário. Bacharel em Direito pela Fadivale. Mestre em Tecnologia, Ambiente e Sociedade pela UFVJM.
Advogado | OAB/MG 246.966
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