Saudades da Família Trapo

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De programa humorístico da Record nas décadas de 60 e 70, os da velha guarda se recordam de terem visto, na telinha ou mesmo em auditório, as travessuras de uma família paulistana desajustada, irrequieta, introvertida e por demais cômica. Falamos da FAMÍLIA TRAPO.

Nos tempos atuais, marcados pelo radicalismo, egoísmo, revanchismo e animosidades, bom seria se a alegria do palco, do auditório, dos festivos encontros grupais, inclusive de cunho religioso, guardasse minimamente as alegrias e descontrações de tempos idos.

O futebol – alegria do povo brasileiro na Terra de Serra Lima. Um pouquinho do passado: Leão da Baixada Pastoril, com o envolvimento da empresa Cobraice; Esporte Clube do Rio Doce, de mister João Rosa, e participação da VALE; Cruzeiro, que fez uso das dependências hoje ocupadas pelo Colégio Ibituruna e que atualmente está na Avenida Brasil, vendo seu patrimônio se deteriorando; Democrata Pantera, firme e forte, em pleno coração da cidade.

De passado não tão distante: reativação da Liga de Futebol Amador com seu estádio próprio, graças ao idealismo e dedicação de Mendes Barros e seu seleto grupo de amigos; aparecimento e desaparecimento da Associação Atlética Aparecida, na Ilha dos Araújos; aparecimento e desaparecimento da Desportiva Valadarense, de Clementino Cadete, incluindo seu terreno; aparecimento e desaparecimento do Esporte Clube Ibituruna, da Pedra Forte, também incluindo seu terreno.

O Vila Isa veio para ficar, embora marcado por inúmeras crises; a Associação Atlética PERIQUITO naufragou em decorrência do rumo tomado pela empresa; Bangú Atlético Clube e Esporte Clube Santa Helena, respectivamente dos saudosos Almyr Lordes e Joaquim Ignácio, também vegetam na inatividade, sendo que, em relação ao primeiro, em questão patrimonial, há o registro de procedimentos revoltantes envolvendo o Poder Público Municipal.

Muito mais se pode ou poderia ser mencionado e registrado em relação ao esporte valadarense, passando pelo GOVAL, pelo Independente da Avenida JK, pelas trajetórias vitoriosas do Ilusão Esporte Clube e Figueira Tênis Clube, do Colégio Presbiteriano, do CEIJUV e, finalmente, da Sociedade Recreativa Filadélfia.

A simplória introdução tem apenas o condão de proporcionar ou mesmo permitir uma abordagem sobre o Esporte Clube Internacional e sua gente “brava”, ferrenha e intransigente na defesa dos interesses do clube do Bairro São Cristóvão e adjacências, com simpatizantes em toda a cidade, desafetos também.

Embora contando com inúmeros simpatizantes e abnegados, inegavelmente a história do clube se confunde com a trajetória da família JOSÉ DE SOUZA, sintetizada nas pessoas de Josino José de Souza, Leandro José de Souza, Romerci José de Souza, Petronílio José de Souza, Theofânio José de Souza, Sebastião José de Souza e Paulo José de Souza, os três primeiros ainda entre nós, fazendo “horas extras”.

Por décadas e décadas, a exemplo de outros, os integrantes da família em questão não só fundaram como “tocaram”, com sangue, suor e lágrimas, o Esporte Clube Internacional, fazendo do clube um vencedor e adversário de respeito em relação aos maiorais da cidade e região. Muitas vezes, chegando ao extremismo. Para eles, em primeiro lugar, o clube…

O clube é proprietário e detentor de uma invejável praça esportiva lá para as bandas dos bairros JK I, II e III, mantida e conservada, a trancos e barrancos, pela insistência de JOSINO, familiares, amigos e simpatizantes do clube. Tarefa hercúlea.

O envelhecimento é inerente à vida mundana. Apenas não envelhece aquele que é recolhido prematuramente. Registra aí, Bolivar. No caso da FAMÍLIA JOSÉ DE SOUZA, a máxima também se aplica. Fazer o quê? O que fazer? Pelo clube, dentre tantos, fizeram história Juventino do Correio e seus filhos Jota, Paulo Henrique e Carlos Henrique. E mais: Carlinhos Marilac, Julica, Wendel e o inigualável Zoroastro.

Na modernidade dos dias atuais, é pouco comum o surgimento de peças de reposição quando o assunto é comprometimento, participação e envolvimento que visem ao bem-estar social, inclusive com a manutenção e preservação de conquistas.

Poucos se deram conta do valor, envolvimento e comprometimento da família José de Souza – a FAMÍLIA TRAPO de Governador Valadares –, em defesa do Esporte Clube INTERNACIONAL, uma de nossas maiores riquezas no mundo do futebol amador de Governador Valadares e região. Saudades, muitas saudades de nossa Família Trapo. Reverência e agradecimentos.


(*) Ex-atleta

N.B. – Da capital do Estado de Minas Gerais chega a notícia do falecimento de Ângelo Antônio Ferrari, valadarense que fez história na arbitragem de nosso país, em especial em Minas Gerais. Para os mais antigos, dos tempos em que se pulava o muro do campo da Pantera para assistir Marcelo Melo e outros tantos, mestre Arnóbio Pitanga lançava e escalava Ângelo Ferrari e Idelvan Dias (Piau) para bandeirarem jogos do alvinegro, auxiliando os maiorais da Federação Mineira de Futebol, inclusive Joaquim “Cocó”.

FOTO: Arquivo pessoal

Em substituição aos “calçudos”, trajando camisas e meias azuis, calção branco, nosso querido “bola nossa” iniciava ali uma das mais brilhantes e vitoriosas histórias de um valadarense. Vencedor como poucos. Carismático e caridoso. Faz parte da história. Descanse em paz.

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