Ghosting: quando o silêncio também comunica

Você já estava conversando com alguém, tudo parecia caminhar bem e, de repente… silêncio. As mensagens deixam de ser respondidas, as ligações não são retornadas e a pessoa simplesmente desaparece, sem qualquer explicação. Esse comportamento tem um nome: ghosting.

A palavra vem do inglês ghost (fantasma) e descreve justamente isso: alguém que “vira um fantasma” na vida do outro. Embora o termo tenha ganhado força com os aplicativos de relacionamento, ele também acontece entre amigos, colegas de trabalho e até em relações familiares.

O ghosting costuma deixar quem o vivencia com muitas perguntas. “Será que fiz algo errado?”, “Falei alguma coisa inadequada?”, “Por que essa pessoa sumiu?”. Na ausência de respostas, é comum que a mente tente preencher as lacunas, criando explicações que nem sempre correspondem à realidade.

Na maioria das vezes, porém, o desaparecimento fala mais sobre quem vai embora do que sobre quem fica. Algumas pessoas têm dificuldade para lidar com conversas desconfortáveis, evitar conflitos ou comunicar que perderam o interesse. Em vez de enfrentar esse momento, escolhem o silêncio.

Isso significa que o ghosting é aceitável? Não. Encerrar uma conversa ou um relacionamento com respeito, ainda que seja difícil, demonstra maturidade e consideração pelo outro. Uma mensagem sincera pode evitar sofrimento e permitir que cada pessoa siga seu caminho sem tantas dúvidas.

Também vale lembrar que nem todo silêncio é ghosting. Há momentos em que alguém precisa se afastar por questões pessoais, saúde mental ou excesso de demandas. A diferença está na ausência completa de comunicação e na interrupção repentina de um vínculo que existia.

Em tempos de conexões rápidas, vale refletir sobre a forma como nos despedimos das pessoas. A tecnologia facilitou os encontros, mas não deve substituir a empatia. Afinal, por trás de cada conversa existe alguém com sentimentos, expectativas e o desejo de ser tratado com respeito.

No fim das contas, desaparecer pode parecer o caminho mais fácil, mas a gentileza de uma conversa honesta continua sendo uma das formas mais humanas de encerrar um ciclo.


(*) Psicóloga, pós graduada em Neuropsicologia pela Unifesp – CRP 04/62350

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