Quando uma empresa, associação, instituição ou até mesmo as contas familiares entram no vermelho, algo urgentemente precisa ser feito.
Quando os valores e os princípios de uma coletividade corroem os aspectos básicos de viver em sociedade, algo urgentemente precisa ser feito.
A história da humanidade nos mostra que essa realidade de decadência moral, ética e econômica já esteve presente em vários momentos da vida humana. E, justamente por causa disso, podemos afirmar que são os próprios desafios vividos que permitiram o processo de evolução da humanidade.
No mundo antigo, como exemplo, podemos citar o Egito Antigo. O sistema político comandado pelos faraós durou séculos, até que suas bases começaram a ruir. O modelo teocrático sucumbiu em meio ao caos social vivido pelo povo egípcio.
Na Idade Média, o modelo feudal durou praticamente mil anos. Durante todo esse tempo, os povos eram comandados pelos seus senhores feudais, que os lideravam de uma forma grotesca. O feudalismo também sucumbiu em meio ao caos social. A gestão política, que atendia somente aos interesses dos senhores, e a alta cobrança de impostos mantiveram o povo na miséria.
O absolutismo, um modelo político centralizado na figura do rei, também durou boas décadas, até que a fome, a miséria e a decadência dos valores sociais promoveram mais uma queda de um regime político. O famoso evento histórico denominado “Queda da Bastilha” representa esse fenômeno político.
Já as diversas ditaduras espalhadas pelo mundo, o nazismo alemão, o fascismo italiano, entre outros regimes autoritários, já demonstraram sua ineficácia e desumanidade. São modelos políticos que devem ser repudiados e rejeitados.
Portanto, meus nobres leitores, fazendo uma breve viagem pela história, observamos quantos modelos faliram e o motivo, praticamente o mesmo: o caos social, que se manifestou na miséria humana em todos os seus aspectos.
O Brasil passa por esse cenário. Nosso modelo político faliu, acabou, não tem mais conserto. Nossa democracia foi raptada pela cleptocracia. Nossa Constituição foi esmagada pelo excesso de leis, que se contradizem sob os diferentes olhares hermenêuticos dos juristas. Os valores sociais estão de pernas para o ar. O jeitinho predomina. Viramos lobos de nós mesmos. A honestidade virou vergonha. O medo, a violência e a ignorância avançam velozmente.
Simbolicamente, quando olhamos para Brasília, não vemos esperança em dias melhores. Os conchavos já estão feitos; o mundo corruptivo que molda as entranhas do poder não se modifica com a mudança de alguns políticos. Vivemos uma política de tempos tenebrosos, na qual o caos social avança.
Nosso modelo faliu, sucumbiu. Nossa democracia foi derrotada por aqueles que dizem defendê-la. E só há um caminho: recomeçar, pensar em outro modelo de gestão das coisas públicas, mesmo sem ter a certeza de que dará certo. Essa, sim, talvez seja a luz no fim do túnel.
Walber Gonçalves de Souza é professor, escritor e palestrante (@prof.walbao).
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