Entre o medo de perder e a ansiedade de ganhar, muitas vezes o maior risco está nas decisões que tomamos pelo caminho.
Quando pensamos em risco nos investimentos, é comum imaginar uma bolsa em queda, crises econômicas e suas consequências, uma alta inesperada dos juros ou a desvalorização de determinado ativo. No mercado financeiro, afinal, a maior certeza é a incerteza, e ninguém consegue prever com precisão o que acontecerá amanhã.
Mas existe um risco que não aparece nos gráficos e não está nas cotações: o risco de tomar uma decisão errada no momento errado.
Imagine dois investidores que, no mesmo dia, veem suas carteiras perderem 10% do valor. A queda foi exatamente a mesma para os dois. O primeiro, assustado, decide vender tudo e esperar a “poeira baixar”. O segundo revisa sua estratégia, lembra dos motivos que o levaram a investir e percebe que seus objetivos continuam os mesmos. Ele decide manter o planejamento, justamente por ter uma estratégia clara para atender a objetivos determinados de curto, médio e longo prazo.
Alguns anos depois, os resultados podem ser completamente diferentes. O mercado caiu para os dois. A diferença esteve na decisão tomada diante da queda.
Uma queda de mercado pode ser temporária, mas uma decisão precipitada tomada durante esse período pode transformar uma oscilação em um prejuízo definitivo.
O mesmo acontece nos momentos de euforia.
Quando determinado investimento começa a subir rapidamente, surge a sensação de que estamos diante de uma oportunidade imperdível. O noticiário destaca os ganhos, os amigos comentam sobre os resultados e, de repente, ficar de fora parece ser o maior risco de todos.
É nesse momento que muitos investidores compram. Não necessariamente porque aquele investimento faça sentido para seus objetivos, mas porque não querem perder a oportunidade, fenômeno que, na psicologia financeira, chamamos de efeito manada.
O medo de perder e a ansiedade de ganhar podem levar a decisões baseadas no sentimento do momento, e não em uma estratégia construída com calma.
Por isso, alguns dos erros mais caros não acontecem necessariamente por escolher um investimento ruim. Eles acontecem quando o investidor abandona uma boa estratégia, concentra excessivamente seu patrimônio, busca retornos incompatíveis com seu perfil ou investe recursos destinados a determinados prazos em estratégias inadequadas para esses objetivos.
Também existe o outro extremo: quem mantém todo o dinheiro parado por anos, por medo de correr riscos, sem perceber que existe outro risco igualmente importante: perder poder de compra para a inflação. Observamos, então, que não fazer nada também é uma decisão e, nesse caso, pode ser muito prejudicial. Na psicologia financeira, esse comportamento é chamado de status quo.
Repito: toda decisão financeira tem um custo, inclusive aquela que escolhemos não tomar.
É por isso que, antes de escolher um investimento, algumas perguntas são mais importantes do que simplesmente saber quanto ele pode render: para que esse dinheiro está sendo investido? Já existe uma reserva de emergência ou ela ainda será formada? Quando esse recurso será necessário? Quanto de oscilação é possível suportar? O patrimônio está diversificado?
Essas respostas ajudam a transformar investimentos isolados em uma verdadeira estratégia patrimonial.
Afinal, não se trata de uma ciência exata. Um investimento excelente para uma pessoa pode ser inadequado para outra. Existe um investimento adequado para cada objetivo, momento de vida e capacidade de assumir riscos.
O investidor não precisa acertar o próximo movimento da bolsa ou prever quando virá a próxima crise. Precisa, principalmente, ter clareza sobre onde quer chegar e construir uma estratégia capaz de atravessar diferentes cenários.
Investir bem não significa eliminar os riscos. Significa conhecê-los, respeitá-los e construir uma estratégia que permita atravessá-los sem perder de vista aquilo que realmente importa: o futuro que estamos tentando construir.
Porque, no longo prazo, o patrimônio não é construído apenas pelas melhores decisões que tomamos. Muitas vezes, ele também é preservado pelas decisões erradas que conseguimos evitar.
Seguimos atentos.
(*) Sócio da Valor Investimentos. Planejador Financeiro e Especialista em Investimentos. Atua há 18 anos no mercado, com foco em gestão financeira, investimentos, planejamento de aposentadoria, planejamento fiscal, riscos e sucessão.
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