Se existe uma máquina símbolo de liberdade, potência e cultura, esta máquina é a motocicleta. Uma legítima Harley Davdson, por exemplo, direciona sempre para um passado de glamour no oeste dos Estados Unidos, para uma época de mudanças de costumes, superação de tabus , e surgimento da liberdade da cultura pop na fervilhante década de 1960. É muito interessante quando motociclistas de um clube encostam nas portas de bares seus cavalos de aço para uma confraternização. O coletivo daquelas máquinas é “xique”, principalmente quando motores estão funcionando ao mesmo tempo.
Por falar nisso onde estão os emocionantes e animados encontros de motos que aconteciam em GV? Contribuintes do desenvolvimento do turismo, os encontros de motociclistas aconteciam anualmente, geralmente em setembro, quando reuniam praticamente todos os Moto Clube em torno do conhecido Motofest, evento que inclusive foi incluído no calendário oficial da Prefeitura. Sempre torci para que se tornasse um dos maiores do país. Potencial existe, a cidade é plana, tem gastronomia, bares, restaurantes, bons hotéis, muita motocicleta, espaços de lazer, várias concessionárias e oficinas especializadas.
Participavam do evento os seguintes moto clubes: Patrulha 22, o maior deles em número de sócios; Asas do Asfalto, o mais antigo; Sheriffs do Leste; Rota 51; Guardiões; Águias do Ibituruna e Filhos do Dono. Como a UNIÃO FAZ A FORÇA, a continuidade desse evento é sem dúvida uma referência positiva que movimentaria ainda mais o turismo na cidade. Tem de voltar.
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Por outro lado o trânsito está tenso. É preciso distinguir motociclista de motoqueiro. O motociclista, que necessariamente não é somente quem pertence a clube, obedece as leis de trânsito, é maduro e educado. Já o motoqueiro é aquele que bagunça o fluxo, e de um jeito que só ele sabe fazer. Anda aprontando, sem respeito pela vida. Basta ver as estatísticas de acidentes. A coisa está mais para MORTECICLISMO do que para motociclismo, e, salve-se quem puder!. Veja o que atesta os títulos das matérias de um jornal valadarense, entre 06 de abril a 01 de maio de 2026:
“Motociclista morre após bater em poste no bairro Santa Rita (06/04)”;
“Motociclista morre em acidente na descida da estrada do Pico da Ibituruna (13/04)”;
“Motociclista morre em acidente na MGC-259 próximo ao distrito do Pontal (13/04)”;
“Motociclista fica ferido em acidente com caminhão na BR-116 no distrito de Chonin de Baixo (14/04)”;
“Motociclista morre após colisão contra poste no bairro Nova Vila Bretas (14/04)”;
“Motociclista inabilitada bate em carro estacionado e fica gravemente ferida no bairro Grã-Duquesa (16/04)”;
“Um idoso de 67 anos ficou gravemente ferido após um acidente de motocicleta no fim da madrugada de domingona Avenida Moacir Paleta, no bairro São Pedro(19/04)”;
“Jovem é executado a tiros e encontrado morto sobre motocicleta em Frei Inocêncio (29/04)”;
“Motociclista morre em acidente e motorista é preso após fugir sem prestar socorro em Coronel Fabriciano (01/05)”;
Como o trânsito de Governador Valadares está caótico, a mistura de motoristas maus educados com motoqueiros velozes está explosiva. Como bicicleta não tem motor, seu concorrente direto é o pedestre, fato perigoso também. Já a concorrência direta dos motoqueiros são os motoristas. É comum ver motoqueiro em altíssima velocidade cortar veículos pela esquerda, pela direita, tirar “fininho”. Outros aproveitam que a moto precisa de pouco espaço para manobra e se encaixam entre automóveis, passam ao lado dos veículos como se surgissem do nada, param em cima das faixas de retenção e muito mais. E sai da frente se aquele empregador de pizza ou do telecerveja estiver circulando por perto. Se quiser competir somente a bordo de um avião a jato. Mas tem motorista que não deixa por menos, na competição entre eles, cometem muitas infrações e a troca de insultos já se tornou consuetudinária. Para alguns, pasmem, arriscar a vida normalizou, se tornou um direito.
(*) Crisolino Filho, é escritor, advogado e bibliotecário | E-mail: crisffiadv@gmail.com | Whats App: (33) 9.88071877 | Escreve nesse espaço quinzenalmente
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