A bola vai rolar, melhor dizendo, a bola já está rolando em mais uma edição da Copa do Mundo, contando com um exagerado número de 48 participantes, agradando assim países eleitores e os inconfessáveis propósitos e interesses financeiros de fazer inveja ao rapazinho do Banco Master e sua ‘turma’. Quem aprendeu com quem?
Enquanto isso, em determinado canal de YouTube, não se sabendo de sua credibilidade, ocorre a exibição de narrativa tristonha, pesada e revoltante mesmo e que envolve um dos maiores personagens da história futebolística de nosso país, do mundo mesmo.
Diz respeito a Manoel Francisco dos Santos – o Mané Garrincha, aquele da Suécia de 1958, do Chile de 1962, de tantas conquistas e alegrias dadas ao povo brasileiro, em especial aos botafoguenses da velha guarda. Aquele, vítima do álcool, que nos deixou precocemente.
Por décadas e décadas, sem contestação alguma, nos foi dito e dado a conhecer que o uso da “maldita” desde os 15 anos de idade e jamais abandonada teria sido a razão e motivação única para que a ALEGRIA DO POVO nos deixasse em janeiro de 1983, apenas e tão somente com 49 anos vividos neste mundão de Deus.
Da narrativa ou documentário, o registro de que tudo teria começado no nascimento do craque em que, por absoluta falta de condições financeiras, não teria ele se submetido a uma ou duas intervenções cirúrgicas para correções clínicas, afora a diferença de seis centímetros no comprimento entre uma perna e outra.
Aparecem ainda as citações das figuras do pai, senhor Amaro, também um beberrão, da mãe, senhora Maria Carolina, da esposa Nair, com quem teve uma renca de filhos, da então criticada injustamente Elza Soares e do pouco falado irmão mais velho de nome Roberto, ainda vivo e contando mais de 90 anos de idade e a quem se atribuem condutas até então não divulgadas.
Ao contrário da única versão até então sustentada de que o uso de “cachaça” de forma inveterada e as malditas injeções e aplicações nos joelhos e tornozelos que o atiravam para dentro dos gramados de todo o mundo para garantir cotas diferenciadas ao seu Botafogo são as razões de ter-se deteriorado como ser humano, algo muito maior teria ocorrido na trajetória daquele que encantou o mundo com sua magia na prática do esporte das multidões.
Garrincha teria, sim, alcançado bons resultados financeiros, porém, por sua maneira de ser, simplório em demasia, teria deixado a cargo de seu irmão mais velho, de nome Roberto, ainda vivo, a administração de tudo, sem qualquer questionamento. Adversidades enfrentadas pelo ‘mano’ teriam concorrido para deterioração de patrimônio e numerário do craque.
De tudo o que ocorreu ou que teria ocorrido na trajetória de MANÉ Francisco dos Santos, certamente que as mazelas próprias de nosso país, com desigualdades sociais gritantes, (des)educação sofrível, ausência estatal em todos os níveis (federal, estadual e municipal), tendo pela frente uma família completamente desestruturada, concorreram ou foram mesmo fundamentais para o caos vivido por um de nossos maiores craques e ídolos. Uma pena.
A “maldita” da cachaça, também conhecida como “água que passarinho não bebe”, certamente não foi a causa principal da desgraça que se abateu sobre o filho de Pau Grande. Quando muito, concorreu para deterioração de um quadro criado, agravado e omitido no período vitorioso em que todo o mundo aplaudia um cracaço de um esporte chamado FUTEBOL.
Parece assim crível a narrativa que vem ganhando corpo, divulgada com os cuidados necessários, porém com argumentos sólidos, de que a vida terrestre de MANÉ GARRINCHA teria sido marcada por episódios censuráveis, condenáveis, porém não combatidos, levando-o ao melancólico falecimento no limiar de 1983, aos 49 anos de idade.
Não somos todos iguais. A gritante desigualdade social impera em nosso país. A um de nossos maiores ídolos, no nascedouro, a omissão estatal – uma de nossas maiores violências – se fez presente na área da saúde, gargalo que permanece até os dias atuais. Ali tudo começou…, de forma condenável, repugnante mesmo.
Mais uma Copa. Novas emoções. Certamente novos craques surgirão. Novas histórias e narrativas serão inevitáveis. Momento apropriado para lembrarmos daqueles nossos antigos craques que fizeram história em Copas, certamente tendo em Manoel Francisco dos Santos – A ALEGRIA DO POVO, nosso expoente maior. Quantas saudades, Mané…
(*) Ex-atleta
N.B. 1 – Aos 86 anos bem vividos, deixou-nos Valter Agostinho de Souza Neves, aquele da CTGV, orgulho maior da terra de Serra Lima. Desportista como poucos, envolvente e participativo, deixa um belo legado. Descanse em paz.
N.B. 2 – Há coveiros em demasia impregnados no futebol brasileiro a infernizar a vida do técnico Carlo Ancelotti. Em percentual muito maior dos corneteiros que infernizavam os corredores do Mammoud Abbas em décadas passadas.
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