Aos 30, eu já deveria ter tudo resolvido?

FOTO: Freepik

Existe uma espécie de prazo de validade imaginário para a vida adulta. Aos 20 e poucos, ainda estamos “nos descobrindo”. Aos 30, porém, parece que a sociedade espera um relatório completo: profissão definida, relacionamento estável, casa própria, dinheiro guardado, viagens no currículo e, se possível, uma vida perfeitamente organizada.

Mas quem foi que combinou isso?

As redes sociais ajudaram a tornar essa cobrança ainda mais evidente. Basta alguns minutos navegando para encontrar alguém da mesma idade que abriu uma empresa, comprou uma casa, casou, teve filhos, viajou para cinco países e ainda encontrou tempo para cuidar do corpo e preparar uma marmita saudável para a semana.

Enquanto isso, você pode estar tentando descobrir o que quer fazer da vida na próxima terça-feira.

E tudo bem.

O problema não está em querer crescer, conquistar coisas ou construir uma vida confortável. O problema começa quando transformamos a vida dos outros em uma régua para medir a nossa.

Aos 30, algumas pessoas estão começando uma carreira. Outras estão mudando de profissão. Algumas estão casadas; outras terminaram um relacionamento longo. Há quem esteja tendo filhos e quem tenha decidido não tê-los. Tem gente comprando uma casa e gente que ainda está tentando organizar as contas do mês.

Nenhuma dessas histórias está necessariamente atrasada.

Talvez tenhamos confundido maturidade com ter todas as respostas. Como se crescer significasse finalmente descobrir exatamente quem somos, o que queremos e para onde estamos indo. Mas, na prática, a vida adulta parece muito mais com aprender enquanto caminhamos.

E talvez essa seja uma das maiores liberdades depois dos 30: perceber que não existe uma única maneira correta de chegar lá, até porque ninguém sabe exatamente onde é esse “lá”.

A verdade é que algumas conquistas chegam cedo, outras demoram. Algumas coisas que desejávamos aos 20 deixam de fazer sentido aos 30. E outras que jamais imaginávamos podem se tornar nossos maiores sonhos.

A vida não é uma prova com idade certa para cada resposta.

Então, se você chegou aos 30 e ainda não tem tudo resolvido, respire.

Você não perdeu o prazo.

Aliás, talvez ele nunca tenha existido.


Psicóloga, pós graduada em Neuropsicologia pela Unifesp – CRP 04/62350

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