Tudo, menos futebol

Vinícius Júnior, amado por muitos, odiado por outros tantos, continua sua via-crúcis no combate ao racismo, preconceito e tratamento não respeitoso ao cidadão de cor. A última faceta vem de Portugal, porém envolvendo um futebolista argentino, defensor do Benfica.

Philippe Coutinho, futebolista internacional e defensor de grandes equipes mundiais, e ainda com participação em duas Copas do Mundo pela seleção canarinha, se quedou às críticas, vaias e impropérios dos torcedores do clube de seu coração, pedindo e sendo atendido na antecipação do encerramento de seu vínculo empregatício.

Thiago Silva, “o Monstro”, apaixonado pelo tricolor das Laranjeiras, mesmo em final de carreira, optou por retornar para a Europa, unicamente para proporcionar a seus familiares uma vida tranquila, coisa que caminha para o inimaginável na Terra de Santa Cruz. Foi criticado injustamente.

Fernando Diniz, técnico de futebol que não recepciona a mesmice, mais uma vez foi demitido, agora pelo Vasco da Gama, por não ter feito o milagre de fazer um plantel limitado produzir um futebol inimaginável, ainda que sonhado por alguns.

O consagrado Tite, de educação refinada, não consegue fazer o Cruzeiro Esporte Clube repetir, na atual temporada, o futebol vistoso de 2025, caminhando provavelmente para uma “dispensa” a qualquer momento, permitindo-se um juízo de valorização a respeito da conduta do grupo de futebolistas do clube. No passado, o procedimento respondia pelo nome de “panela”.

Futebolista profissional do Red Bull Bragantino, de forma inaceitável, precipitada e agressiva, após partida do Campeonato Paulista, teceu considerações injuriosas em relação à árbitra da contenda, provocando imediatas e veementes críticas à sua conduta. Redimiu-se do ato impensado logo após a partida, pedindo desculpas publicamente. Desdobramentos ocorrerão.

Torcedores (des)organizados invadem CTs e outras dependências de clubes, ofendem, agridem, ameaçam e praticam todo tipo de excesso reprovável, interferem nas administrações dos clubes sob olhares complacentes do grande público.

Inúmeros futebolistas brasileiros que alcançaram o estrelato e fizeram fortunas optam por fixar residências em países estrangeiros, com o propósito de proporcionar a seus familiares condições de uma vida saudável, distanciando-os da violência e de outras questões que predominam em nosso país, censuráveis e revoltantes.

O que virou o futebol? Um grande negócio comercial em que determinados valores e sentimentos são apenas detalhes. O adversário se transformou em inimigo. O gesto alegre e descontraído vira caso de polícia e sensacionalismo por parte de uma mídia raivosa.

Como seria possível, nos dias atuais, aquele relacionamento e vocabulário que se aplicavam aos extraordinários ZIQUITA e JUVENAL? E o palavreado que vinha de volta lá do fundo do ônibus? Diz aí, meu caro desembargador PERÁCIO. Como o mundo tem mudado para pior…

Tensão, pressão, cobranças de todos os tipos sintetizam a máxima do futebol nos tempos atuais, nos quais se buscam apenas resultados/vitórias/conquistas, em detrimento do que um dia era marcado por glamour contagiante. Ah, futebol de tempos idos…

E a base? E a formação? E os valores culturais e educacionais? Tostão virou médico e, ainda que não sociável, serve de exemplo. Lembram-se do antigo Afonsinho, aquele que virou engenheiro e que se posicionava diante dos fatos? E o nosso Wilson Piazza? Solidário e participativo em todos os sentidos. Alguns outros poderiam ser mencionados, mas…

Enfim, nos dias atuais, temos de tudo e um pouco mais, menos o contagiante, empolgante e glamouroso futebol de antigamente, aquele que verdadeiramente encantava e dava gosto de ser visto. Restou-nos mais um negócio, que não é da China. Está caro para ser visto, independentemente da péssima qualidade de seus atuais atores.


(*) Ex-atleta

N.B. 1 – Cronômetros à parte, ao arrepio das regras do esporte-rei, há coisas ocorrendo após o tempo dado a conhecer, influenciando no resultado de determinadas partidas. Prorrogação da prorrogação somente em caso de cobranças de penalidades máximas.

N.B. 2 – Isto aqui não é River Plate…; isto aqui não é Boca Juniors…; isto aqui não é San Lorenzo…; isto aqui não é Racing Club…; isto aqui não é Independiente…; isto aqui não é Estudiantes de La Plata…; isto aqui é Lanús! Que coisa esquisita, meu caro Bolívar.

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