O direito de dizer “não”

FOTO: Magnific

Você já fez algo que não queria só para não decepcionar alguém? Já disse “sim” quando, por dentro, queria dizer “não”? Ou mudou seu jeito de agir porque ficou com medo do que os outros pensariam?

Em algum momento, todos nós queremos ser aceitos. O problema começa quando a aprovação do outro passa a ser quase uma condição para nos sentirmos bem com quem somos.

A necessidade de agradar e se sentir validado pode aparecer de formas muito discretas: evitar conflitos, concordar mesmo quando pensamos diferente, colocar as necessidades dos outros sempre à frente das nossas ou sentir culpa quando estabelecemos um limite. Aos poucos, podemos nos acostumar tanto a buscar aprovação que já nem sabemos mais o que fazemos porque realmente queremos e o que fazemos apenas para sermos aceitos.

E existe uma pergunta importante por trás disso: “Se ninguém fosse se decepcionar comigo, o que eu escolheria?”

Nem sempre é fácil responder. Muitas vezes, aprendemos desde cedo que ser “bonzinho”, disponível e agradável é uma maneira de receber carinho, reconhecimento e pertencimento. Por isso, dizer não pode despertar culpa, medo ou a sensação de que estamos sendo egoístas.

Mas colocar limites não significa deixar de se importar com os outros. Significa também reconhecer que nossas vontades, sentimentos e necessidades merecem espaço e também são importantes para nós.

Não precisamos ser desagradáveis para sermos autênticos. E também não precisamos agradar todo mundo para sermos dignos de amor, respeito e consideração.

Amadurecer também é aprender, aos poucos, a trocar a pergunta “O que esperam de mim?” por “O que faz sentido para mim?”. Porque viver buscando a aprovação de todos pode nos fazer ganhar muitos aplausos, mas perder justamente aquilo que não deveria ser negociado: a nossa autenticidade e necessidades próprias.


(*) Psicóloga, pós-graduada em Neuropsicologia pela Unifesp | CRP 04/62350

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