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Setembro Amarelo e a urgência da prevenção ao suicídio

FOTO: Freepik

O mês de setembro é marcado pela cor amarela, símbolo de uma campanha que busca jogar luz sobre um tema sensível, mas que precisa ser debatido: a prevenção ao suicídio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que mais de 700 mil pessoas morrem, todos os anos, em decorrência do suicídio, enquanto um número vinte vezes maior tenta interromper a própria vida. No Brasil, são cerca de 44 mortes por dia. Trata-se, portanto, de uma questão de saúde pública que não pode mais ser ignorada.

O suicídio é um fenômeno multicausal, resultado da interação entre fatores individuais, sociais, culturais e ambientais. Nesse contexto, o mundo do trabalho tem um papel de destaque. Ainda que o trabalho seja fonte de reconhecimento, pertencimento e identidade, ele também pode se tornar um espaço de sofrimento, adoecimento e violência. O psicanalista francês Christophe Dejours nos lembra que “não há neutralidade do trabalho diante da saúde mental”, pois ele pode ser tanto mediador de autorrealização quanto causador de alienação e doença.

Estudos apontam que de 10% a 12% dos suicídios são relacionados ao trabalho. Não é difícil entender por quê: jornadas extenuantes, sobrecarga de demandas, pressões por resultados, insegurança quanto à permanência no emprego e práticas de assédio moral e sexual são fatores frequentemente associados ao comportamento suicida. Soma-se a isso a realidade de grupos mais vulneráveis, como desempregados, trabalhadores informais, pessoas negras, indígenas, migrantes e população LGBTQIAPN+, que enfrentam condições ainda mais desafiadoras e discriminatórias. O suicídio, como já definido há décadas, é um “fato social”, atravessado pelas desigualdades e pelas características do modelo de sociedade que escolhemos.

O tema exige uma visão ampla, que vá além das questões individuais. A precarização das relações de trabalho, a falta de políticas públicas de proteção e a ausência de ambientes laborais saudáveis são elementos que precisam ser enfrentados coletivamente.

Outro desafio é a presença dos mitos, estigmas e preconceitos que rondam esse tema. São fatores que dificultam e limitam a abordagem e a prevenção, devendo ser desconstruídos. Como exemplo, o mito de que falar sobre suicídio aumenta os riscos de ocorrência, quando, na verdade, o silêncio é que potencializa o sofrimento e dificulta o acesso à ajuda. É fundamental quebrar barreiras, tratar o assunto com responsabilidade, ética e sensibilidade, e incentivar que trabalhadores e trabalhadoras busquem apoio sem medo de julgamentos.

O Setembro Amarelo nos lembra que a vida deve estar no centro das nossas escolhas — inclusive das escolhas institucionais e políticas. Investir em ambientes de trabalho mais humanos e saudáveis é parte essencial dessa luta. Prevenir o suicídio é também defender a dignidade do trabalho.


(*) Odete Reis, Auditora-Fiscal do Trabalho e representante da Delegacia Sindical em Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS/MG – SINAIT)

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