Reunião de condomínio termina em quebra-pau

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por Cleuzany Lott (*)

Imagine um funcionário pulando a janela com pacotes de documentos, fugindo da prestação de contas. Esse é o exemplo do que acontece em alguns condomínios, principalmente, nos três primeiros meses do ano. Normalmente neste período ocorre a famosa e, às vezes, temida Assembleia Geral Ordinária, do artigo 1.350 do Código Civil.

A “AGO” é uma obrigação que todo síndico tem que cumprir, se não quiser correr o risco de perder o cargo. A pauta é a mesma para todos os condomínios, seja comercial ou residencial, mas o resultado depende das decisões do síndico, pois é nesta assembleia que o gestor tem que apresentar como gastou o dinheiro arrecadado no ano e obter a aprovação dos condôminos.

A falta de transparência – desde um simples ato ao mais complexo – abre brechas para dúvidas. Basta um morador questionar e ficar sem as respostas para a falta de confiança se instalar. Dessa forma, as consequências chegarão mais cedo ou mais tarde.

São Vicente

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Em um condomínio de São Vicente, no litoral norte de São Paulo, por exemplo, a assembleia terminou em pancadaria. Dos quatrocentos apartamentos do edifício, apenas cem moradores compareceram à reunião. Ao ser questionada sobre a prestação de contas, a síndica e o marido, que é o dono da administradora do condomínio, se recusaram a apresentar os documentos. Um funcionário, atendendo a ordem da gestora, fugiu pela janela levando as pastas com as anotações do edifício.

Insatisfeito, um grupo partiu para a briga. O dono da administradora chegou a agredir uma moradora com um soco no rosto. Foi necessário a intervenção da Polícia Militar para pôr fim à confusão.

Essa é mais uma lição que todo síndico deve guardar. A falta de transparência – desde um simples ato ao mais complexo – abre brechas para dúvidas. Basta um morador questionar e ficar sem as respostas corretas para a falta de confiança ir para o ralo.


(*) Cleuzany Lott é advogada, especialista em direito condominial, síndica, jornalista, publicitária e diretora da Associação de Síndicos, Síndicos Profissionais e Afins do Leste de Minas Gerais (ASALM).

As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal

Comments 2

  1. Elaine Corrêa Da Cunha says:

    Excelente matéria Cleuzany Lott.
    Que sirva de exemplo para outros !

    • Cleuzany Lott says:

      Muito obrigada. Se tiver alguma sugestão de temas, fique à vontade para nos encaminhar. Abraços

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