O que merece sua verdadeira dedicação?

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“Infelizmente, esses jovens não compreendem: frequentemente, é muito fácil sacrificar a própria vida, mas consagrar, por exemplo, cinco ou seis anos de sua bela juventude ao estudo e à ciência – nem que seja para multiplicar as próprias forças e servir à verdade, atingindo os fins desejados – é um sacrifício que vai muito além deles”.

Uma característica natural da juventude é o imediatismo: para os jovens, todas as coisas são “para ontem” e, além do imediatismo, a juventude é movida e marcada por um sentimento de heroísmo que se demonstra nos sacrifícios aos quais muitos jovens se dispõem a fazer, sacrifícios estes que são feitos na intensão de saciar seu imediatismo, visando o mínimo de esforço e comprometimento possíveis.

A grande verdade é que, fazer determinados sacrifícios é muito mais fácil do que assumir as responsabilidades que as coisas nos cobram, assim, o sacrifício passa a ser visto como um gesto mágico que resolve os problemas de forma imediata, sem ser necessário passar pelo caminho correto, enfrentando as dificuldades que aparecem e, acima de tudo, superando-as.

É muito mais fácil cogitar fazer um determinado sacrifício do que percorrer todo o percurso que muitas vezes a vida nos cobra. Dostoiévski, em seu conhecido livro “Os Irmãos Karamázov”, ao comentar sobre a juventude, em uma pequena passagem do livro, diz que, para os jovens é fácil, até mesmo, sacrificar a própria vida em prol de um determinado objetivo, mas que, para os mesmos, é muito difícil consagrar e dedicar seu tempo, e seus anos de vida, a coisas mais sérias, que lhes cobram um engajamento mais profundo, responsável e duradouro, dizendo que isso está além deles.

Para um namorado, uma namorada, ou para um marido ou uma esposa, nas relações familiares, sociais, e em todas as outras, é muito mais fácil fazer “sacrifícios” em prol de alcançar algo do que encarar os problemas, as dificuldades, e as responsabilidades de frente, reconhecendo seus erros, culpas, e compromissos, e se dedicando para mudar o que for preciso. Para os jovens, que sonham com um futuro brilhante, com um bom emprego, e estabilidade, os atos sacrifícios também são utilizados como atalhos para alcançar o que desejam, de forma que, para eles, como diz Dostoiévski, é muito mais fácil para os mesmos sacrificarem até a vida, do que dedicarem anos de sua juventude aos estudos e a preparação para o futuro.

Muitas vezes, muitos estão dispostos a fazer grandes atos de sacrifício por motivos tão banais, levados pelo egoísmo, em busca de satisfação imediata, mas negligenciam as causas de maior importância, e de mais alto valor, que mereciam mais atenção e dedicação de nossa parte, demonstrando, mais uma vez, o quanto os nossos princípios e valores estão invertidos. Precisamos começar a dar valor para o que realmente tem valor, e nos sacrificar e nos dedicar ao que realmente importa.


Wanderson R. Monteiro
Dr. hc. em Literatura e Dr. hc. em Jornalismo.
Bacharel em Teologia, graduando em Pedagogia.
Acadêmico Correspondente da FEBACLA. 
Acadêmico Fundador da AHBLA.
Vencedor de quatro prêmios literários.
Coautor de 10 livros e quatro revistas.
(dudu.slimpac2017@hotmail.com)
São Sebastião do Anta – MG

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