Amor Exigente. Pais alcoolistas, filhos…

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Ainda é muito discutida a possibilidade de um indivíduo herdar os genes de um seu ascendente e, nesse caso, demonstrar as mesmas características de comportamento que este apresenta. Por exemplo, pensa-se que, se o ascendente tem “queda” para a bebida, inevitavelmente o seu “herdeiro” também terá essa tendência. Dessa forma, se o pai ou o avô é dependente do álcool, o filho ou o neto também será?

Havia um entendimento, incorreto, diga-se de passagem, de que certos aspectos da personalidade e comportamento do indivíduo seriam definidos pela atuação isolada de seus genes, de maneira definitiva. Entretanto, o que se questiona aqui é exatamente a atuação independente dos genes. Sabemos hoje que a interação dos fatores genéticos com o ambiente é que irá influenciar a tendência do indivíduo para um ou outro comportamento, em maior ou menor grau. Os genes, nesse caso, atuam para definir tendências, porém, o que irá modular o indivíduo são suas experiências individuais. Para se “revelar”, o gene depende das circunstâncias externas que irão interagir com ele.

Com essa informação, aqueles que detêm genes que, dependendo do estímulo, possam fragilizar suas barreiras e resistências devem evitar a exposição a ambientes que vão estimular sua predisposição ao comportamento que não lhe seja conveniente.

“Um dependente não tem o desejo compulsivo de usar droga o dia todo, ainda que seja considerado usuário de nível grave. Ele só irá detonar inconscientemente esse desejo em determinados momentos do seu dia, como, por exemplo, quando está junto à sua “turma” de amigos ou vivenciando uma experiência de solidão, angústia ou ansiedade”, situações estas onde sua defesa fica fragilizada (Cury, Augusto Jorge. Superando o cárcere da emoção – Ed. Cultrix, SP, Ed. 2002).

Dessa forma, indivíduos que tenham propensão ao álcool ou outras drogas devem se impor um novo estilo de vida. Não devem manter relacionamentos com antigos companheiros de consumo, nem ir a bares e outros ambientes onde costumavam encontrá-los, pois o consumo de substâncias psicoativas (drogas ou álcool) é a atividade central desses encontros. O indivíduo, nessas ocasiões, volta a sentir desejo intenso de consumir e não consegue resistir ao apelo da droga.

Podemos dizer que a carga genética não é capaz, por si mesma, de induzir o indivíduo ao alcoolismo ou a outra dependência química, e nem mesmo a outras degradações tais como a depressão, a ansiedade e a psicose. Entretanto, pode influenciar o aparecimento dessas doenças, como se viu, quando combinada com fatores externos favoráveis ao seu desenvolvimento.

Como se vê, no ambiente familiar e educacional, por exemplo, se o indivíduo for estimulado a ter metas, sonhos, projetos de vida e a desenvolver a arte de pensar, possivelmente será capaz de superar suas frustrações, sem necessidade de recorrer ao uso de bebidas ou outras drogas.

Por Heldo Armond

Grupo de Apoio Amor Exigente
Coordenação local: Berta Teixeira Rodrigues
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Reuniões às terças-feiras, das 19h30 às 21h30, no Colégio Franciscano Imaculada Conceição.