A individualidade e o coletivo

Nos bons tempos do futebol romântico em que a parte física não era tão valorizada quanto ocorre nos dias atuais, a individualidade dos verdadeiros craques fazia a diferença nos embates futebolísticos independentemente do gabarito dos contendores. Deuses do futebol.

Maradona, Mané Garrincha, o tal de Édson, Zico, Zizinho, Puskas, Johan Cruyff, Reinaldo e inúmeros outros, figuraram em seleto grupo de futebolistas que dia sim, outro também, acabavam resolvendo praticamente sozinhos inúmeras contendas. Verdadeiros craques.

Não menos verdade que em inúmeras outras oportunidades o coletivo futebolístico se impôs e continua sendo imposto, ainda mais agora em que a parte física fala mais alto, proporcionando equilíbrio entre os disputantes, afastando a distância quilométrica entre clubes grandes, médios e pequenos quando das contendas. Goleadas nos dias atuais, raramente ocorrem.

A Academia do Parque – Sociedade Esportiva Palmeiras, o Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, ELE e Pepe, o Cruzeiro de Tostão, Dirceu, Piazza e companhia, o GALO de Reinaldo e Cerezo, a seleção AZUL de 1.958, a seleção de 1.982, o escrete Húngaro de1.954 e a Holanda de duas copas, são exemplos incontestes do que representa o COLETIVO.

Do futebol para a vida em sociedade, quer seja ela pública ou privada, incluindo terceiro setor e assemelhados, presentes, também, a individualidade e o coletivo. Há de se ter em mente aquilo que se chama equilíbrio, visão, sabedoria e entendimento. Delimitação da área de atuação de cada um, individualmente, ou mesmo do grupo. Não é tarefa fácil.

A individualidade nada mais é do que características única e singular de um indivíduo, diferenciando-o dos demais. Está relacionada com inúmeras características da pessoa, marcando assim a identidade de cada um. Negativa ou positiva.

Quanto ao Coletivo pode ele sintetizar um grupo de pessoas que trabalham JUNTAS para alcançar objetivos e metas.  Trata-se de forma de organização e de cooperação entre seus integrantes, valorizando TODOS e promovendo a igualdade. Nada mais do que REUNIR, JUNTAR. União de grupos. Parece simples, mas…

No serviço público, indispensável o trabalho coletivo, ainda que nos dias atuais a heterogeneidade de seus integrantes provoque situações desagradáveis e até mesmo incontornáveis, provocando a substituição parcial ou total do grupo. Fruto de agrupamentos políticos nem sempre recomendáveis.

Não menos verdade que há casos específicos, previsíveis mesmos, em que a INDIVIDUALIDADE – o trabalho pessoal com conhecimento e responsabilidade se faz necessária. Nada que uma boa seletividade não resolva. Fora o “quem indica”.

E no privado? Livre de amarras, surgem oportunidades para bem escolher e não se arrepender, colhendo frutos de boa qualidade e resultados positivos. Alguma coisa ou procedimentos que se assemelhem à organização e planejamento.  Parece simples, né?

Não é bem assim. Tem faltado mão de obra qualificada, compromissada e interessada. Não tem havido receptividade a chamamentos. Tem imperado a máxima de que “quase ninguém tem tempo”. “Agora não…”. “Vou pensar…”.  E o tempo passa…

Assim, nem sempre as escolhas são as melhores, as mais indicadas, as mais qualificadas, as mais harmônicas, equilibradas e recomendadas. Muitas vezes provocam divisões, aborrecimentos e desarmonia que levam ao fracasso, ao desânimo, ao desinteresse e ao abandono. Muito presente nos dias e tempos atuais.

Confundem liderança com individualidade. O verdadeiro líder se impõe por suas ideias, conduta, procedimento, sabedoria e, muitas vezes, com um simples olhar. Não se impõe a qualquer custo. É recepcionado, reconhecido e respeitado. Verdadeiro Vencedor.


(*) Ex-atleta

N.B. 1 – Rogério Ceni é figurante de diminuto e respeitado grupo de desportistas de nosso país que não têm “rabos presos”, tendo legitimidade para falar dos “podres” que infestam o futebol brasileiro. E o faz. Se é simpático ou antipático, são outros quinhentos.

N.B.  2 – Ao que tudo indica está muito bem conduzida e encaminhada a sucessão na Sociedade Recreativa Filadélfia. Franz AMARAL, com uma vida dedicada ao clube, provavelmente será aclamado para suceder o vitorioso Euler Marra. O neto do senhor Castor vai longe…

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