Uma máxima ora atribuída a Maquiavel, ora a Abraham Lincoln, é sobejamente evidenciada quando a intenção é revelar o verdadeiro caráter do indivíduo. É ela: “Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê a ele poder”.
Por que abro o artigo de hoje com esta abordagem? Pois bem, uma das grandes virtudes da igreja católica enquanto instituição, é sabidamente a obediência. E a observar este modo de viver e se relacionar na igreja, não exclusivamente, mas especialmente, a obediência está intrinsecamente associada à hierarquia.
E confesso que eu amo este processo, uma vez que parte daí o cuidado com o sagrado, essencialmente.
Numa igreja milenar e amplamente acolhedora de milhões de fiéis, é comum terem-se também milhares de opiniões, conceitos e entendimentos. Logo, a hierarquia torna-se fundamental para que seja mantida e preservada a ordem.
Por entendermos este “modus operandi”, é mais fácil assimilar o dizer de que “a igreja é santa e pecadora”. Santa porque foi erigida da Pedra Fundamental, Jesus Cristo; e pecadora porque é conduzida e sustentada pelos homens (pecadores).
Assim, a hierarquia no seu processo de condução, muitas vezes se conflita e quebra a harmonia, principalmente quando é esquecido o objetivo maior que é o anúncio do projeto de salvação, e os interesses personalistas acabam por retirar Jesus do centro.
Egos inflados, perspectivas por caminhos tortuosos e até mesmo a arrogância e prepotência sequestram aquilo que deveria ser sereno e vivificante e transforma os objetivos originais em guerra de poder e razão.
Neste submundo da conquista está escondida a ovelha que sorrateiramente, useiro e vezeiro é substituída pelos lobos do poder.
“Eu sou superior”, “eu mando e você obedece”, “eu decido”. São frases que fincam como punhal no peito de uma sociedade que pede mais ternura, piedade e compaixão, pois foi assim que Jesus ensinou. Assim Ele prometeu.
Quando o autoritarismo é travestido de uma autoridade opressora, ele está na contramão da misericórdia.
“Eu vim para que todos tenham vida; que todos tenham vida plenamente”. Não existe vida abundante onde o pastoreio é confundido pelo barulho dos açoites. E aqui eu nem falo de açoites por chicotes, mas açoites pelo desprezo, pelo desrespeito e pela ausência da empatia.
Urge que as lideranças aprendam que conduzir piedosamente não é o mesmo que conduzir para demonstrar autoridade. A busca pela escuta se faz fundamental a fim de que a hierarquia seja acolhida com igual piedade.
Pesquisando sobre este tema, encontrei algo bem resumido que oportunamente deveria ser assumido e difundido para que lideranças e liderados na igreja aprendam a voltar juntos, seu olhar para aquele que criou a igreja e vive indistintamente em cada coração.
“Ao ouvir falar em “hierarquia da Igreja”, é comum que alguns imaginem uma espécie de elite que, de cima para baixo, impõe-se de forma autoritária sobre os demais fiéis. Essa visão, contudo, é equivocada e não encontra fundamento na realidade da fé católica.
A hierarquia da Igreja é, na verdade, a estrutura visível instituída pelo próprio Jesus Cristo para servir ao seu Corpo Místico. Trata-se de uma organização desejada por Nosso Senhor desde a fundação da Igreja, com a missão de anunciar e concretizar o projeto de salvação inaugurado na Cruz Redentora.”
Simples assim!
Bom domingo, boa semana e até nosso próximo artigo, se Deus quiser.
(*) tiaoevilasio1@gmail.com
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