
Caro leitor, a agrometeorologia é a área da engenharia agronômica que estuda a influência da atmosfera nas culturas agrícolas. Ela é, simplesmente, a área mais importante para a determinação da produtividade de qualquer cultura. A atmosfera impacta toda a fenologia (referente aos ciclos de vida da planta, desde a fase vegetativa — germinação, emergência e crescimento — até a fase reprodutiva — floração, frutificação e maturação —, mediante fatores ambientais, como temperatura, chuva e luz), impacta o florescimento, o abortamento de flores, o tamanho do fruto, a qualidade do fruto; enfim, impacta toda a produção, que depende dessa relação entre a planta e a atmosfera.
Mas, curiosamente, é uma área extremamente relegada. Talvez seja a mais relegada de todo o agro. A agrometeorologia é de grande importância, porém possui pouca pesquisa. Costuma-se dizer que o clima é o ativo estratégico e o protagonista esquecido do agro. Acredito que o setor ainda não descobriu a relevância do clima; até se fala que ele é relevante, mas o investimento em pesquisas é muito pequeno.
O CO² é considerado o vilão da mudança climática porque, na atmosfera, absorve e reemite um tipo de radiação chamada radiação de onda longa, emitida pela superfície terrestre. Essa radiação deveria atravessar a atmosfera e sair do sistema. Os gases de efeito estufa (GEEs) criam uma barreira e reemitem essa radiação, que volta para o sistema, provocando o aquecimento global, que é a principal consequência.
Com o aquecimento, a atmosfera passa a atuar de maneira mais ativa. Em algumas regiões, choverá mais; em outras, menos. Na maioria delas, haverá mais ventos, exatamente por conta dessa movimentação. O aumento da temperatura e as variações no período de chuva são detratores da produtividade, enquanto o CO² pode atuar como impulsionador.
Por isso, no contexto do agronegócio, não se pode afirmar que a mudança climática prejudicará de forma uniforme. As regiões agrícolas menos afetadas por altas temperaturas e escassez de chuva, e com menor impacto dos pontos negativos das mudanças climáticas, podem ser beneficiadas pelo aumento de CO².
É por isso que o setor agropecuário precisa discutir as mudanças climáticas, para entender os gargalos e pensar em soluções, como já vem acontecendo com a formação de reservatórios de água em propriedades rurais para conviver com essa nova realidade.
É necessário investimento público e privado na área da agrometeorologia para que possamos produzir mais e com qualidade no campo.
(*) Engenheiro-agrônomo; fiscal estadual agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA); professor universitário; especialista em fertilidade do solo e nutrição de plantas no agronegócio e em geografia, meio ambiente e sustentabilidade.
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