No limiar de 1.963, no “Estádio da Poeira” localizado na Avenida JK e totalmente lotado de torcedores, o YPIRANGA do folclore Dorly Caldas se tornava campeão varzeano de Governador Valadares, bem verdade que enxertado por inúmeros atletas oriundos do Clube Atlético Pastoril, dentre os quais Joel, Lício e Bitaca. A seguir, o clube do Bairro Santa Terezinha desapareceu do mapa esportivo valadarense.
1.969: o Tupã de Dolfino “Italiano” Chisté, de José de Almeida e Silva – O BADÚ, de Zé Borges, o sapateiro e de FLORZINHO, conquista pela vez primeira e única o título de campeão varzeano de Governador Valadares, também desaparecendo do mapa esportivo valadarense após a conquista.
Meados da década de 60, por determinação de seu alto comando, o ALMIRANTE BARROSO, esquadrão futebolístico do Sexto Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais em Governador Valadares retira-se das competições oficiais promovidas pela Liga de Futebol Amador da cidade.
Ano de 1.967: O Esporte Clube do Rio Doce do “mister João Rosa”, conquista o último varzeano antes do retorno da liga de futebol amador às suas atividades normais. A seguir, o clube se transforma em FERROVIÁRIA, opera-se a fritura do mister e pouco tempo depois, a inatividade se fez presente.
Um pouco mais um pouco menos de tempo, com o encerramento das atividades da empresa COBRAICE na cidade, desaparece o lendário e sempre lembrado Clube Atlético Pastoril, o Leão da Baixada, ainda vivo na memória dos saudosistas.
Pode-se ainda registrar os desaparecimentos do Ibituruna da ‘pedra forte’, do Bangú Atletico Clube, do Esporte Clube Santa Helena, da Desportiva Valadarense, do Estrela do Mar, do Periquito Esporte Clube, do Palmeiras do Mairson, da Associação Atlética Aparecida, do Esporte Clube Everest e inúmeros outros, pelos mais variados motivos.
Um pequeno número de clubes amadores ainda sobrevive na cidade, quase todos em situações preocupantes, de penúria e de incertezas futuras, para não dizer que podem estar trilhando um caminho sem volta. Em especial aqueles que dispõem de patrimônios. Muito triste meu caro Bolivar.
Com ausências dos certames amadores na cidade, o que caminha para duas décadas, nossos campos são utilizados por “peladeiros”, como lazer de segmentos da sociedade e, em pouquíssimo percentual, por menores frequentadores de Escolinhas de Futebol, cujos pais sonham com a independência financeira mediante “fabricação” de craques da melhor qualidade. Às vezes deixando a educação em segundo plano.
Apaixonados por seus clubes como o foram Almyr Lordes, Feca Barbosa, Otávio Coelho de Magalhães, João Rosa, Serafim Leiteiro, Anísio Costa, Milton Mariano, Ranulfo Alvares, Clementino Cadête e inúmeros outros que não mais estão entre nós, não mais existem.
Atletas de outrora que fizeram histórias em seus clubes, que gozam de boa situação e reputação perante a sociedade, querem distâncias em qualquer tipo de participação nas gestões de nossos clubes amadores. Por menor que sejam. Portas abertas para os aventureiros de plantão, à espreita. E que não são poucos.
Vila Isa Esporte Clube, Esporte Clube Internacional, Coopevale Futebol Clube e Cruzeiro Futebol Clube, têm praças esportivas próprias e figuram, ao lado da Liga de Futebol Amador, de cobiças desprovidas de ações republicanas. Todo cuidado é pouco. Há em quantidade, espertalhões de plantão.
Como alerta, nada como uma boa reforma estatutária valorizando o sócio ex-atleta, o benemérito, o contribuinte e o fundador, com definições claras sobre atribuições dos Conselhos Fiscal e Deliberativo e da própria Assembleia Geral. Tarefa hercúlea.
E se não for querer demais, na atualidade do mundo em que vivemos, nada como a previsão estatutária da atividade de cunho social por parte de nossos clubes amadores e de nossa entidade dirigente. Façamos um pouco mais do que simples “peladas” e um tira gosto na utilização de nossas praças esportivas. A desigualdade, com tal procedimento, será literalmente atingida.
(*) Ex-atleta
N.B. 1– De forma surpreendente, a petizada do COOPEVALE fez bonito na primeira fase do Mineiro das categorias sub 13 e 14. Tudo graças ao denodo e sacrifícios de pais e responsáveis, contando ainda com ajuda de alguns simpatizantes.
N.B .2 – Quem diria que parte dos grandões do futebol brasileiro enfrentariam o pesadelo de um rebaixamento. O futebol mudou, para pior… Oxalá que se contenha o festival das BETs.








