Reforma administrativa do governo André Merlo traz poucas mudanças

O prefeito André Merlo anunciou a reforma administrativa que trouxe pouca novidade de nomes. FOTO: Leandro Moraes

A reforma administrativa anunciada na tarde de sexta-feira, 28, da Prefeitura Municipal de Governador Valadares, na verdade foi uma rotatividade de funções dos atuais secretários e pouca novidade em relação à troca de nomes dos atuais ocupantes de cargos. O motivo das mudanças, para os críticos, não foi apenas para oxigenar o governo, mas uma necessidade de tentar ajustar falhas políticas que causaram grandes estragos nas ações do prefeito André Merlo (PSDB) na Câmara Municipal e junto à opinião pública.

Com a popularidade abalada em consequência de vários atos polêmicos que marcaram os dois anos de sua administração mais as derrotas recentes na Câmara Municipal, em que sua base governista não foi lá tão fiel, o prefeito foi do céu ao inferno em poucos dias. Primeiro, houve denúncia de irregularidades em contratos de locação de veículos no Saae, que foram justificadas posteriormente. No entanto, a polêmica criada abalou os nervos do então diretor-geral da autarquia, Alcyr Nascimento, que resolveu entrar com um ofício na Câmara Municipal pedindo a cassação do mandato do vereador que fez a denúncia. Sem efeito legal, o pedido foi rejeitado pelos demais vereadores e arquivado.

Nesse mesmo período outra denúncia não formalizada, mas muito comentada nas redes sociais e que incomodava o governo, era a possível participação de um membro da administração na direção da empresa que administra o serviço da Nova Zona Azul. Mas esses dois casos estavam sendo administrados, caminhavam para o esquecimento da população e a vida seguia.

Aí veio a disputa pela presidência da Câmara, que precisa renovar sua Mesa Diretora a cada dois anos pares.

O vereador de primeiro mandato Alexandre Ferraz (PHS), mais conhecido como Alê, foi indicado pelo governo para concorrer a vaga de presidente do Legislativo e toda a Mesa Diretora seria formada por membros governistas. Com a promessa de apoio de 10 vereadores, Alê chegou a dar entrevista ao DIÁRIO DO RIO DOCE anunciando uma possível vitória, já que com seu voto seriam 11, que lhe garantia a maioria dos 21 votos. Mas na hora H “deu água” e a derrota foi difícil de digerir.

Mas não foi só a derrota que abalou o governo. O vazamento de um áudio em que o prefeito tenta pressionar o vereador Jacob do Salão a votar no seu candidato, mostrou uma outra face do governo e as críticas vieram da maioria da população, que não aceita mais a prática da velha política do toma lá dá cá.

Mais adiante, a comprovação da fragilidade em que os fatos recentes abalaram as estruturas do governo, ficaram evidentes. Numa necessidade emergencial de tentar encontrar uma fórmula de quitar o 13º salário dos servidores municipais, até o dia 20 de dezembro, o prefeito e o sindicato dos servidores encontraram a alternativa de fazer um empréstimo consignado e o projeto foi encaminhado à Câmara para ser votado.

Enquanto a matéria era analisada pelas comissões surgiram muitas críticas com relação à operacionalização do empréstimo, por que ele seria pago pela Prefeitura sem despesas para o servidor mas a contratação teria que ser feita em nome dos servidores e não direto pela Prefeitura. As críticas sensibilizaram os vereadores independentes, opositores e atingiram também alguns membros da base governista. O resultado da votação foi 9 votos contra, sete a favor e quatro abstenções. O presidente da Câmara só vota em caso de empate.

Diante de mais esta derrota, e com a expectativa de que precisava rever os erros e se reinventar politicamente para entrar o ano de 2019 com novo fôlego, o prefeito chegou à conclusão de que era preciso mexer e aí acelerou as mudanças que já eram pensadas, mas sempre proteladas. É preciso ressaltar, também, que, a partir de janeiro, já começam as articulações políticas para as eleições municipais de 2020 e a sucessão começa a ser discutida a partir de janeiro. Agora é aguardar a virada do ano e ver se os resultados com as mudanças surjam o efeito esperado.

Veja as mudanças

Com as mudanças, a Secretaria de Comunicação e Mobilização Social (Secom) deixa de existir, sendo integrada à Secretaria de Governo, que passa a ter como titular o atual secretário de Administração, Marcos Sampaio. Já a Secretaria de Planejamento (Seplan) será incorporada à Secretaria da Fazenda, que ficará sob a responsabilidade de Jamir Calili, que foi candidato a deputado federal neste pleito. Ainda não há um nome definido para assumir a Secretaria de Administração. A mudança considerada mais inesperada foi da ida do diretor da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), coronel Sebastião Pereira de Siqueira, para o comando do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae). O atual diretor da autarquia, Alcyr Nascimento Júnior, vai para a Secretaria de Desenvolvimento, que até então tinha como titular o empresário Carlos Teixeira, que assumirá a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (SMCEL) no lugar de Guilherme Frossard Filho.

No início do governo o prefeito já havia determinado a fusão da Secretaria de Obras com a de Serviços Urbanos, e o atual secretário Carlos Chaia continua na administração da pasta.O engenheiro-agrônomo e fiscal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) Marcelo Aquino assumirá a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura (Sema) e, por fim, Priscila Coelho Erlacher, o cargo de Chefe de Gabinete do prefeito.