Crime em São José do Divino pode ter motivação política

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A morte do vereador Ronildo Rodrigues causou comoção e revolta em São José do Divino. FOTO:Divulgação.

Delegado que investiga o caso acredita que, além da traição conjugal, o assassinato do vereador Ronildo Rodrigues dos Santos tem viés político, e isso está sendo investigado

O delegado regional de Polícia de Teófilo Otoni, José Eduardo Filho dos Santos, disse ontem em entrevista ao DIÁRIO DO RIO DOCE, por telefone, que as investigações sobre o assassinato do vereador de São José do Divino Ronildo Rodrigues dos Santos (PHS), conhecido como Maia, estão bem adiantadas e que haverá novidades nas próximas horas. Ele não quis adiantar detalhes para não atrapalhar as investigações, mas garantiu que sua equipe está no encalço dos dois homens acusados de contratar o assassino Guilherme César Antunes Palma, 18 anos.

Sobre a prisão do também vereador Marcus Vinícius Lima (PPS), acusado de ser o mandante do crime, o delegado informou que a justiça expediu mandado de prisão preventiva contra ele devido às fortes evidências, nas investigações, de sua participação no crime. Um dos motivos seria o caso amoroso que a vítima estaria tendo com a mulher de Lima, conforme depoimento do pistoleiro Guilherme César Antunes, autor confesso dos três tiros que acertaram o peito e o braço de Ronildo e que resultaram em sua morte. O crime aconteceu no último domingo, 10, numa fazenda, enquanto a vítima tirava leite de uma vaca.

No entanto, de acordo com o delegado, este é apenas um dos motivos. Ele também trabalha para apurar outros versões que surgiram durante a investigação. “O crime passional foi a última causa, mas trabalhamos também para apurar possível desvio de verba da Câmara Municipal, conforme algumas provas que estão surgindo no decorrer das apurações. Mas isso ainda depende da conclusão dos trabalhos, visto que temos de investigar equipamentos eletrônicos, através de perícia, que pode comprovar essas suspeitas. Temos certeza de que o crime tem viés político e a traição foi a última consequência”, afirmou o delegado.

De acordo com o delegado, Marcus Vinícius estava em fuga, mesmo antes de a justiça expedir o mandado de prisão contra ele. “Ele foi preso na cidade de Ipanema, a 280 quilômetros do local do crime, e no momento da prisão ele estava acompanhado de toda a família, o que demonstra que já estava em fuga. Temos essa convicção porque ele já havia sido ouvido na delegacia no dia seguinte ao crime, onde compareceu voluntariamente e negou seu envolvimento. Mas desde então já deveria estar desconfiado de que poderia ser preso a qualquer momento e resolveu não esperar, para tentar se livrar da prisão”, acrescentou o delegado.

Revolta

A morte do vereador Ronildo Rodrigues dos Santos causou comoção e revolta nos moradores da cidade, que tem 3667 habitantes, de acordo com o senso de 2004. No dia do crime, os moradores foram para a frente da Delegacia protestar contra os acusados e depois foram para a frente da Câmara Municipal, quando souberam da prisão do vereador que seria o mandante do crime. O presidente da Câmara decretou três dias de luto na cidade, em homenagem a Ronildo, que foi enterrado ontem sob mais protestos.

Na terça-feira, 12, uma equipe de investigadores esteve na Câmara recolhendo documentos e mais provas que podem ajudar a esclarecer o crime. A expectativa agora é da prisão dos dois homens foragidos, para que eles possam ser interrogados sobre a participação e os reais motivos do crime. Os dois estão com prisão preventiva decretada pela justiça, e uma equipe de policiais está no encalço deles. “O autor Guilherme e o mandante Marcus Vinícius já foram ouvidos e foram encaminhados para o presídio da cidade de Itambacuri, onde estão à disposição da justiça. Como ambos foram presos preventivamente, significa que essas prisões não têm prazo para vencer.

por Raimundo Santana | Editor