É mais fácil culpar o outro. O chefe, o parceiro, a família, o mundo. Mais difícil é admitir que, em muitos casos, somos nós que continuamos permitindo o que nos machuca.
Autoestima não é sobre se sentir incrível todos os dias. É sobre o que você tolera quando não está bem. É sobre quantas vezes você se cala para evitar conflito, se diminui para não incomodar, permanece onde não é respeitado para não ficar sozinho.
A verdade incômoda é que ninguém ultrapassa limites que não encontram abertos. O desrespeito raramente começa grande, ele cresce à medida que é aceito. E cada vez que você engole algo que te fere, ensina ao outro que está tudo bem continuar.
Ter autoestima dá trabalho. Exige assumir o risco de desagradar, de ser mal interpretado, de perder pessoas. Mas perder-se é sempre o prejuízo maior. Não existe amor saudável quando você precisa se apagar para que ele exista.
Muita gente chama de maturidade o que, na prática, é medo de se posicionar. Chama de paciência o que é cansaço. Chama de compreensão o hábito de aceitar migalhas. Autoestima não é ataque, é defesa. Defesa da própria dignidade. E ela começa no momento em que você para de justificar o injustificável e decide que respeito não é negociável.
Talvez o problema não seja o outro.Talvez seja o instante em que você percebe isso, encara o incômodo sem desviar o olhar e entende que se respeitar também é uma forma de coragem, e muitas vezes, de libertação.
(*) Psicóloga, pós graduada em Neuropsicologia pela Unifesp CRP 04/62350
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