Sociologicamente o homem é um ser gregário, isto é, se agrupa em sociedade. Alguém sempre vai organizar, dirigir ou comandar sua tribo. Independentemente de semântica, as grandes civilizações foram governadas por faraós, reis, imperadores, mulás, xás, aiatolás, príncipes, presidentes, generais e índios por caciques. O interessante é que a formação desses personagens se deu em distintas épocas, em países diferentes e distantes, com limitados meios de comunicação; ainda assim, se organizaram da mesma forma. Conceitos e teorias antropológicas à parte, o poder é a capacidade de um governante influenciar, organizar e controlar a sociedade.
Seria somente literário, se não remetesse também ao burocrático. Um fato pouco conhecido dos brasileiros é que os maiores escritores do século passado (XX) e do anterior (XIX) foram funcionários públicos e/ou políticos. Se encaixavam em duas categorias: os interessados primeiro na literatura e na carreira e os interessados primeiro na carreira e na literatura. Os integrantes das letras no Brasil tiveram sossego e segurança para escrever suas grandes obras.
Por isso, se algum dia você for a uma repartição pública, atenção! Pode ser que ali esteja um funcionário escritor, que em outras horas elabora uma grande obra literária.
José de Alencar (1829-1877), professor da Escola Nacional de Direito, chegou a ministro da Justiça do Império. Em 1861 foi eleito deputado geral pelo Ceará; entre 1868/1870, assume o Ministério da Justiça, mas teve seu nome barrado na lista para senador pelo Ceará, apesar de eleito em primeiro lugar (1869).
Manuel Antônio de Almeida (1831 – 1891) – oficial da secretaria do Ministério da Fazenda e diretor da Imprensa Nacional.
Machado de Assis (1839 – 1908) – foi diretor de contabilidade da Secretaria Nacional de Agricultura.
Aluísio de Azevedo (1857-1913) – diplomata de carreira, desempenhou a carreira consular em vários países da Europa.
Olavo Bilac (1865-1918) – foi inspetor escolar no então Distrito Federal (RJ).
Lima Barreto (1881 – 1922) – foi funcionário da Secretaria da Guerra.
Graciliano Ramos (1892 – 1953) – foi diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do Estado de Alagoas. Antes, foi prefeito de sua cidade natal, Palmeira dos Índios-AL.
Guimarães Rosa (1908 – 1967) – diplomata de carreira.
—
O mundo nunca experimentou como atualmente tantas transformações tecnológicas. São ônibus espaciais, internet, celular, IA, podcast, iPod, fibra óptica, câmeras fotográficas digitais, alimentos transgênicos, TV digital, células-tronco, biotecnologia e computadores cada vez mais sofisticados. Apesar de gostar de ficção e ter interesse pelo avanço científico, uma coisa é inegável: o futuro é sempre reflexo de um passado bem articulado. Por isso, a nostalgia tem seus encantos.
Por mais que uma Ferrari, um Porsche, um Tesla, um BYD ou um Mercedes sport seduzam, e sem sombra de dúvidas são belos automóveis, uma coisa é inegável: carros antigos como Buicks, Lamborghini, Rolls-Royce ou até mesmo a brasileiríssima Simca Chambord, da década de 60, são admiráveis.
Ainda que as atuais lâmpadas de LED tenham um número de “lux” infinitamente maior do que as do passado, a iluminação de ruas com lampiões a bico de gás da metade do século XIX (1850-1900) emprestavam às cidades uma visão pictórica. Algumas ruas em Paris (França), Boston (EUA) e Londres (Inglaterra), como forma de preservação da memória, ainda conservam este tipo de iluminação. Em Minas Gerais, apesar dos lampiões instalados nos centros históricos de Ouro Preto, Mariana e Diamantina não serem a bico de gás, optou-se por uma lâmpada especial que produz efeitos semelhantes, principalmente no inverno, muito chic.
(*) Crisolino Filho é escritor, advogado e bibliotecário
E-mail: crisffiadv@gmail.com – WhatsApp: (33) 9.88071877
Escreve nesse espaço quinzenalmente
As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.







