Empresários e políticos de Valadares são alvos de operação do MPMG

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Euclydes Pettersen diz que não conhece os autos e que tão logo tenha as informações vai esclarecer tudo à imprensa.FOTO: Divulgação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria Eleitoral em Governador Valadares, em parceria com a Polícia Militar, cumpriu, nesta terça-feira, 22, 15 mandados de busca e apreensão na chamada “Operação Caixa Fantasma”. A ação faz parte de investigações que apuram a prática dos crimes de compra de votos e falsidade ideológica eleitoral nas eleições de 2018. As buscas miram o deputado federal eleito Euclydes Pettersen (PSC) e os ex-deputados Jairo Lessa e Hélio Gomes.

Uma coletiva de imprensa estaria agendada no Ministério Público para o dia de ontem, mas foi cancelada. A equipe de reportagem do DIÁRIO DO RIO DOCE entrou em contato com Euclydes Pettersen (PSC), que por telefone respondeu que assim que tiver conhecimento dos documentos que constam nos autos irá tomar as medidas judiciais cabíveis e falar com o imprensa. “Vamos aguardar o momento oportuno para esclarecer tudo à imprensa”, disse.

De acordo com informações do Ministério Público de Minas Gerais, as investigações começaram a partir da “Operação Octopus”, que apurou crimes diversos ocorridos na Prefeitura de Divino das Laranjeiras entre os anos de 2005 a 2016. “Na época, foram identificadas conversas por meio de aplicativo de mensagem entre o ex-prefeito de Divino das Laranjeiras Edison Alves de Souza, o Bodola, e um candidato a deputado federal. No diálogo, eles tratavam de questões relacionadas à compra de votos na disputa eleitoral de 2018”, informa o MP.

Segundo o MP, Euclydes  usava a estrutura de um hospital local para garantir a promessa de tratamento de saúde aos eleitores, tendo acesso a 21 procedimentos cirúrgicos que eram utilizados para comprar votos. “Ele também tinha vínculos com outros prestadores de serviços na área da saúde na cidade, com os quais garantia procedimentos médicos gratuitos aos seus eleitores, em especial na área oftalmológica. Ainda de acordo com o Ministério Público, também foi identificado o crime de caixa dois eleitoral, por meio de movimentações financeiras suspeitas na conta pessoal do candidato, que não foram declaradas e não condizem com os valores recebidos por aqueles com quem fez a transação bancária. Dentre as transações há um depósito de R$ 100 mil, realizado por um cabo eleitoral muito próximo do candidato e que também é alvo da operação”.

A equipe que liderou as investigações da “Operação Caixa Fantasma” são os promotores Evandro Ventura e Mariana Lisboa. Mais informações sobre a operação deverão ser repassadas em coletiva de imprensa, ainda sem data marcada pelo MP. Até o fechamento desta edição o DRD tentou contato com a Prefeitura de Divino das Laranjeiras e com o ex-prefeito Edison Alves de Souza, mas não houve retorno.

por Eduardo Lima eduardolima.drd@gmail.com