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Direito Consuetudinário

FOTO: Freepik

Por Crisolino Filho (*)

Se existe uma máquina símbolo de potência e liberdade, esta máquina é uma motocicleta. Poucos veículos automotores são tão vibrantes quanto, por exemplo, uma legítima Harley Davidson, ou as possantes 600cc (seiscentas cilindradas) ou 1.000cc (mil cilindradas). Por isso se tornam muito interessantes os encontros realizados por motociclistas em várias cidades do país, quando os clubes – assim denominados os grupos dos amantes de duas rodas – encostam para confraternizações, em pontos estratégicos, seus cavalos de aço. O coletivo daquelas máquinas é “xiquexique”, principalmente, quando os motores são ligados ao mesmo tempo. É sonho de consumo de muita gente.

Por falar nessas confraternizações, os vários motoclubes de Governador Valadares se reúnem em torno da MOTOFEST, na Praça dos Pioneiros, praticamente todos os anos. Evento que já está no calendário oficial da Prefeitura Municipal. A torcida é para que esse encontro se torne um dos maiores do país. Alguns fatores favorecem. A cidade é plana, tem espaços glamorosos, muitos apaixonados pelo “esporte”, e são várias as concessionárias e oficinas especializadas. Vários são os motoclubes. Não podemos afirmar se todos estão na ativa, mas já foram observadas várias vezes seus escudos em bandeiras estendidas naquela área: Patrulha 22, Asas do Asfalto (o mais antigo), Sheriffs do Leste, Rota 51, Guardiões, Águias do Ibituruna e Filhos do Dono. Como a UNIÃO FAZ A FORÇA, é um evento que, sem dúvida, contribui para o movimento da indústria de turismo.

Outro lado charmoso das motocicletas diz respeito às mulheres pilotando. Remete à ideia de desafio, de beleza, de vitória.

Mas nem tudo são flores para quem escolhe a motocicleta como meio de transporte, seja para o lazer ou para o trabalho. É preciso distinguir o motociclista do “motoqueiro”. O motociclista – que necessariamente não é só aquele que pertence a um CLUBE – obedece às leis de trânsito, normalmente é ético, maduro e educado. Já o “motoqueiro” é aquele que bagunça o fluxo de veículos, de um jeito que só ele sabe fazer.  Não bastassem as bicicletas que andam em cima de passeios, na contramão, no meio da rua, numa clara demonstração de que muito ciclista não tem respeito pela própria vida, grande parte dos “motoqueiros” apronta. Basta ver as estatísticas de acidentes de trânsito. Só neste ano já foram vários acidentes, é verdade, assustadores, muitos deles seguidos de morte. Dessa forma a situação está mais para MORTECICLISMO do que para motociclismo. E salve-se quem puder!

Como o número de veículos e de motocicletas aumentou muito, em determinadas vias, horários, momentos e situações, o trânsito fica caótico. A mistura de “motoqueiro” veloz com motorista imprudente é explosiva. Como bicicleta não tem motor, seu concorrente direto é o pedestre, fato que também causa arrepio. Já a concorrência direta dos “motoqueiros” são os motoristas, uma situação que piorou muito, principalmente, depois da pandemia da covid. Com o aumento significativo da entrega de alimentos pelo sistema “DELIVERY”, é comum ver “motoqueiro”pilotando no Centro em altíssima velocidade, a mais de 100km por hora, em puro malabarismo: cortam pela esquerda, pela direita, fazem zigue-zague e tiram “fininho”.

Outros aproveitam que a moto precisa de pouco espaço e se “enfiam” entre automóveis, surgem do nada ao lado dos veículos, param em cima das faixas de retenção e quando não menos, com olhares ameaçadores. E sai da frente se aquele entregador de pizza ou tele-cerveja estiver trafegando. Competição somente pilotando avião a jato. Por outro lado tem motorista que não deixa por menos, e, nessa competição, comete infrações e troca insultos, e, para muitos, pasmem, já se tornou um DIREITO CONSUETUDINÁRIO.

(Dicionário – CONSUETUDINÁRIO: que se baseia nos costumes, nos hábitos de uma sociedade, usual, costumeiro, habitual, que se pratica repetidamente)


(*) Crisolino Filho, é escritor, advogado e bibliotecário
E-mail: crisffiadv@gmail.com  –  WhatsApp: (33) 98807-1877
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