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Calor e 2º mundo

FOTO: Freepik

No último final de semana (03 e 04/01/26), a cidade sofreu com calor elevado. Há informações de que chegou a 43º à sombra. Entre outras, GV tem fama de intensa imigração para os Estados Unidos, comércio forte, excelente local para a prática do voo livre e terra de mulher bonita, o que é fato. Mas a fama de ser muito quente precede historicamente a todas elas. E que calor!?!?!…

Uma expressão que fortalece a marca de cidade quente é a que informa: “aqui faz um calor senegalês”. A ideia é de que faz tanto calor quanto Dacar, a capital do Senegal, na África. Na realidade, é ilusão. De acordo com o Google, a oscilação da temperatura lá em janeiro varia de 18ºC a 27ºC, e em agosto entre 25º e 33ºC. Portanto, é mais amena, já que atingir 42ºC aqui tem forte probabilidade. Quem nunca ouviu a frase “está tão quente que dá para fritar um ovo na calçada”?

Se fosse banhada pelo mar, com praia e areia branca, ainda que não fosse Copacabana, não seria fácil aguentar essa população cada vez mais metropolitana.

Não se noticia pesquisa que classifique quem goste ou quem não goste desse calor. Certo é que alguns apreciam, outros detestam. Tem quem adore trabalhar ou estudar, ter ou fazer negócios, cultivar amigos, admirar a beleza da Ibituruna, o traçado e a arborização da cidade. No entanto, tem valadarense que diz que, se algum dia mudar daqui, será exclusivamente por causa do calor…

São fortes aliados dos valadarenses: ar-condicionado em casa, lojas, shopping, lanchonetes que vendem açaís e sorveterias… Frase corrente que antecede ao verão na cidade: “Se agora está quente assim, imagina em janeiro?”. Fantasia, o calor dos meses anteriores tem sempre a mesma intensidade daquele em janeiro, varia entre 36ºC e 42ºC, ou seja, um tanto para mais ou para menos. Quando alguém sentir aquele vapor no ar e correr para a piscina para se refrescar, não vai ajudar, a água, como GV, vai estar quente. Que calor!!!…

Até algum tempo, era ensinado na geopolítica que existiam dois mundos: o PRIMEIRO e o TERCEIRO mundo, mas pouco ou quase não se referia ao que, ou quem era, o SEGUNDO mundo. Quem seria esse, então? Bem, o SEGUNDO mundo era formado pelos países socialistas que se encontravam sob o domínio e influência da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS, da qual fazia parte também a atual Rússia, país mais importante do bloco.

Alguns deles hoje podem ser classificados como capitalistas, inclusive fazem parte da União Europeia, comercializam em euro. Integravam esse grupo a Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão, Tajiquistão, Estônia, Letônia e Lituânia. A URSS existiu de 1922 a 1991, quando foi extinta oficialmente.

O primeiro mundo, como se sabe, era e ainda é formado pelos países ricos, aqueles que fazem parte do G7: Estados Unidos (EUA), Japão, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Canadá, outros da União Europeia, como Espanha, Suíça, Holanda, Bélgica, os nórdicos Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, alguns da Ásia como Japão e Coreia do Sul, e os da distante Oceania, Austrália e Nova Zelândia.

Já o Brasil, não faz tanto tempo, estava classificado como do TERCEIRO mundo, grupo de países considerados pobres, com alta taxa de natalidade e mortalidade infantil, baixo Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, criminalidade acentuada, analfabetismo significativo e sistema de saúde precário, onde pacientes eram ou ainda são tratados nos corredores de hospitais. Atualmente mede-se também o Índice de Progresso Social (IPS), que avalia a qualidade de vida das cidades no Brasil.

Logo, é uma extrema ironia o Brasil ser gigante pela própria natureza, possuir área continental – está entre os cinco maiores –, abundante em recursos minerais e dono de 25% de toda a água doce do planeta. Recentemente, por mudança de critérios, migrou de padrão, agora está classificado como EMERGENTE, ou seja, agora EMERGENTE pode significar também SEGUNDO mundo, ocupa com outros quatro do BRICS (Rússia, Índia, China e South África) a classificação que pertenceu aos países antes socialistas, não é primeiro nem mais terceiro.


(*) Crisolino Filho é escritor, advogado e bibliotecário | E-mail: crisffiadv@gmail.com | WhatsApp: (33) 9.8807-1877 | Escreve neste espaço quinzenalmente

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