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Aumentativos, filas e rodovias

FOTO: Wrestock/Freepik
Crisolino Filho (*)

Tem-se a sensação de que quase todos os escândalos políticos que ocorrem em Brasília terminam em “Acordões”, e parece que tendem a continuar nessa dinâmica, sempre terminados no aumentativo da palavra acordo. O substantivo e/ou adjetivo usados no aumentativo é uma forma muito popularizada não só em política, mas também quando se trata de nomear estádios de futebol, como, por exemplo, Mineirão, Barradão, Engenhão, etc., até aqui em GV em tempos de campeonatos vamos ao Mamudão. O nome do maior campeonato brasileiro também pega carona nessa linguagem e é “Brasileirão”. Parece que a ideia não é somente ressaltar a magnitude das obras (no caso dos estádios) com as competições, mas criar com o público um vínculo de familiaridade e afeto. Aliás no Brasil, o público e o privado se confundem.

Quando se trata de política a história emplaca outro viés ao fato além de significar coisa monumental. Nessa seara o aumentativo transmite a sensação de ação escusa, suspeita ou de manobra. Respectivamente ilustres institutos de negociatas, “Acordão” e “Centrão” significam interesses políticos/pessoais, partidários e corporativos. O que importa para esses não é o desenvolvimento, a evolução, mas um jogo de interesses nada confiáveis. Enfim, como nas obras sociológicas que estudam o Brasil, quando se fala em “Acordo” e “Centro” remete a uma normalidade, mas quando se fala em “Acordão” e “Centrão” a resposta é facilmente entendida.

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Um aspecto da sociedade brasileira que ainda demonstra baixo grau de civilidade e cidadania diz respeito às filas para pagamento de conta em banco, loteria e caixa de supermercados. As filas parecem ser sempre quilométricas, parte dos credenciados não disponibiliza assentos, e muito menos banheiro. Gastar tempo e paciência é ali mesmo.

Apesar da plaquinha afixada em frente ao caixa preferencial sinalizar que o Brasil tem nuances de país desenvolvido, o velho jeitinho brasileiro se faz presente usurpando a ordem estabelecida. O caixa que é destinado exclusivamente para o idoso, gestante, lactante, mãe com crianças no colo e deficiente, muitas vezes é usado por quem não faz parte dessas categorias. Tem muito “brasileiro” que passa a impressão que quer ser mais esperto que os outros, ou, então, tem preguiça ou não se julgam no dever de enfrentar fila para realizar seus negócios. Provavelmente pessoas mais novas aproveitam dos mais velhos para pagar suas contas em fila preferencial pelo fato de “teoricamente” ser mais rápida. Por isso já é visível que até essas filas estão ficando cada vez mais enormes.

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Em Jinan, na província chinesa de Shandong, foi inaugurada uma das primeiras rodovias solares do mundo. Feita com um material inovador, junto com as propriedades estruturais do asfalto, ela é constituída e coberta por painéis solares. A principal característica notável dessa via é que ela pode carregar os carros elétricos enquanto eles são dirigidos sobre a estrada.

Já na superdesenvolvida Alemanha foi concluída a primeira Autobahn Elétrica (Autobahn A5), onde há um trecho adaptado para recarregar caminhões elétricos em movimento. O objetivo é encontrar soluções silenciosas e pouco poluidoras para o transporte de cargas. (fonte – Daniel F. Warkentin – via Whats App).   

Dois exemplos do que ocorre em países onde os governos administram seus países com responsabilidade, eficiência e alta tecnologia.

Enquanto isso a duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, conhecida como rodovia da morte, já se prolonga há mais de 30 anos de obras e mais de 30 anos de promessas, e ainda sem previsão de conclusão com denúncias, reclamações, intervenções de órgãos ambientais, falta de pagamento, aditivos, tribunais de contas, cotas de políticos etc.


(*) Crisolino Filho, é escritor, advogado e bibliotecário
E-mail: crisffiadv@gmail.com  –  Whatsapp: (33) 98807-1877
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