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A interação entre universidades, empresas e governos

FOTO: Freepik

Universidades e institutos de pesquisa são celeiros do conhecimento, estando comprometidos com o desenvolvimento de novas ideias e soluções. Contudo, frequentemente, essas contribuições permanecem restritas ao contexto acadêmico, o que destaca o Brasil em produção científica, mas sem refletir em melhores colocações nos índices internacionais de inovação. O desafio? Ultrapassar o chamado “vale da morte”, uma expressão que aponta para as dificuldades na transformação de pesquisas em produtos e serviços comercializáveis.

Esse cenário nos remete à necessidade de uma maior apropriação social das pesquisas, onde as inovações geradas nas salas e laboratórios das universidades possam encontrar caminhos viáveis para sua aplicação no mercado. Dessa forma, a Lei 10.973/2004, conhecida como Lei da Inovação, e sua atualização em 2016 até representam esforços legislativos para estreitar os laços entre o conhecimento produzido e o setor produtivo, mas o caminho ainda é longo.

Por isso, a abordagem da hélice tríplice, que sugere uma parceria entre universidades, empresas e governo, cada um contribuindo com suas competências e recursos, é fundamental neste processo. As universidades passam a ser um ator ativo do desenvolvimento econômico por meio da geração do conhecimento científico-tecnológico, indo além de prover ensino e pesquisa, as empresas trazem o know-how do mercado e o governo oferece o suporte regulatório e financeiro, além de se tornar um potencial comprador das soluções.

Esse modelo, teorizado por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff na década de 90, surgiu como uma metáfora para identificar os protagonistas do sistema de inovação na Rota 128, em Boston (EUA), tornando-se um guia para a elaboração de políticas de desenvolvimento socioeconômico ancoradas na economia do conhecimento. Universidades, empresas e governo, quando operam isoladamente, podem gerar resultados significativos, porém, é a sinergia entre elas que impulsiona o crescimento de uma região.

Entretanto a construção dessas parcerias não é uma tarefa simples, devido às diferenças de objetivos e lógicas operacionais entre os três setores. Apesar destes desafios, observa-se uma evolução positiva nas relações, com um número crescente de colaborações nacionais bem-sucedidas e que têm resultado na transferência de tecnologia e na criação de novos empreendimentos.

Logo, para que essa interação seja efetiva e gere frutos duradouros, é essencial um trabalho contínuo na melhoria do marco regulatório, no estímulo a incentivos fiscais e na criação de ambientes que favoreçam a inovação conjunta. Só assim será possível superar as barreiras que impedem que o conhecimento produzido nas universidades se transforme em inovações que beneficiem toda a sociedade e promovam o desenvolvimento socioeconômico.


(*) Profissional com ampla experiência no desenvolvimento de negócios e produtos, com passagens por Méliuz, Itaú, PicPay e Prefeitura de Valadares. Foi membro do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação e da Câmara Técnica de Empreendedorismo e Inovação da Bacia do Rio Doce. Fala sobre inovação, tecnologia, negócios e carreira. Instagram: @eutorrente

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