Sobre gente que implica demais… e entende de menos…
Pessoas são problemas. Desde sempre.
Pessoas são problemáticas. O tempo todo.
Lembro-me de uma frase que ouvi há alguns anos: “a humanidade não deu certo”. Ou de outra, igualmente emblemática: “pare o mundo que eu quero descer!”
A impressão é que, desde que o pecado entrou no nosso planetinha — há cerca de seis mil anos — o ser humano jamais esteve plenamente preparado para conviver em harmonia com o seu semelhante. Hoje, o esporte número um parece ser discordar, ofender, implicar, causar dissensões… até mesmo entre aqueles que são seus próprios pares.
E veja: esta coluna nem está falando de política. Escrever sobre a polarização imbecil que vigora em nosso país renderia, no mínimo, uma dissertação de mestrado.
Em meio a tudo isso, surge uma pergunta de difícil resposta: o que leva um ser humano a gastar tempo e “queimar pestana” com coisas tão simples quanto uma colher suja, um copo fora do lugar ou uma roupa não guardada?
Sim, porque há quem transforme pequenas questões em verdadeiros cavalos de batalha, ou naquela insidiosa tempestade em copo d’água. A provocação que fica é direta: até que ponto vale a pena criar uma celeuma em torno de assuntos acessórios, a ponto de comprometer o todo — o holístico, o integral?
Aqui, a citação de Jesus Cristo no Evangelho de Mateus soa mais atual do que nunca: há pessoas que gostam de “coar um mosquito e engolir um camelo”. Em outra passagem, no capítulo 7, Cristo chama de hipócritas aqueles que carregam uma trave nos próprios olhos, mas insistem em observar o cisco nos olhos alheios.
E é assim que funciona. Na maioria das vezes.
Por causa dessas pequenas obsessões, grandes realizações acabam ofuscadas: o sucesso de um negócio, de um relacionamento, ou até mesmo o espírito de unidade — elemento que, invariavelmente, conduz grandes organizações ao êxito.
Por outro lado, em sua resiliência, a “vítima” pode acabar se omitindo ou ignorando questões até mais relevantes. Dia desses, um gestor me disse algo simples e poderoso: “o veneno só faz mal para quem o bebe”.
Guardar rancor, mágoa ou ressentimento contamina apenas quem carrega essas sensações consigo.
Diante disso, como seres minimamente pensantes e conscientes, muitas vezes o melhor caminho é recorrer àquela regra velha e batida: respirar fundo, ignorar o ocorrido e contar até três. Eu sei — isso pode corroer por dentro. Mas, convenhamos: viver em paz não é negociável.
Porque pessoas que vivem implicando com detalhes insignificantes, no fundo, acabam se tornando amargas e medíocres.
O grande pregador Billy Graham disse certa vez que “uma pessoa pode ser intelectualmente brilhante, mas espiritualmente ignorante”. É assim que enxergo alguns “serhumaninhos” por aí.
E, gostemos ou não, em algum momento… vamos ter que conviver com eles.
(*) EDSON CALIXTO JUNIOR é escritor, teólogo e jornalista. Trabalhou no Diário do Rio Doce, Rádio Globo/CBN, Rede Novo Tempo de Comunicação, foi assessor de imprensa na Assembleia Legislativa do Paraná (2003 – 2010). Bacharel em Administração de Empresas pela FAGV, com MBA em Gestão, atualmente é servidor público federal.
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