Orla da Ilha dos Araújos pode virar patrimônio histórico

No calçadão de pedras portuguesas, os moradores da cidade e turistas realizam diversas atividades de esporte e lazer. FOTO: Angélica Lauriano

Foi publicado no último dia 24 de julho, no Diário Oficial do município, o edital para o tombamento do complexo paisagístico Ilha dos Araújos como patrimônio histórico. A orla da Ilha ocupa uma área de 1,2 quilômetros e abriga uma rica vegetação nativa e intensa arborização, constituindo-se num dos principais patrimônios ambientais do município. Em toda a margem foi construído um calçadão de pedras portuguesas, onde moradores da cidade e turistas realizam diversas atividades de esporte e lazer.

A gerente do Patrimônio Histórico e Cultural da Prefeitura, Carolina Melânia Bretas Donato, explica que, para toda a etapa de tombamento ou registro histórico, primeiramente existe uma indicação. A partir daí, acontecem reuniões com o Conselho de Patrimônio Histórico, que delibera a questão do tombamento. Depois de aprovado, é publicado um edital para que a população se manifeste. “O bem, quando é tombado ou registrado, é um bem considerado de grande representatividade para a população, tanto histórica como culturalmente. Então, o retorno favorável da população é importante”, afirmou Carolina.

Para ela, a Ilha dos Araújos é considerada um ponto turístico da cidade, o que estava faltando era o reconhecimento a nível histórico. “A orla tem representatividade, porque a população de Valadares costuma fazer caminhada e alguns eventos culturais acontecem ali. Então, a orla tem história dentro do município. Caso não haja nenhum impedimento, no máximo em setembro estaremos realizando o tombamento da orla”.

“Caso não haja nenhum impedimento, em setembro faremos o tombamento da orla da Ilha”, informa a gerente do Patrimônio Histórico e Cultural, Carolina Bretas.FOTOS: Angélica Lauriano

A gerente de Patrimônio Histórico ressalta ainda que, quando um bem é tombado a nível, material, sempre tem uma atenção especial da parte governamental na manutenção daquele espaço. “A ideia do tombamento da orla é não deixar que a história morra, por isso manutenções são feitas, para que aquela história passe de geração a geração”.

“Toda a iniciativa de tombamento é feita pelo Conselho de Patrimônio Histórico, que é representado por várias pessoas da sociedade civil, sendo: empresários da área do turismo, universidades, representantes dos artistas plásticos, representantes do Ibama, representantes dos arquitetos, juntamente com a administração pública”, explica Carolina.

Ilha dos Araújos

A Ilha dos Araújos é um dos primeiros bairros da cidade. O primeiro posseiro veio em 1872, catequizando os índios botocudos. A partir daí, as terras foram passando de um para outro até chegar à família Araújo, que dividiu a propriedade e começou a ocupação do bairro. A Ilha dos Araújos se destaca por suas belezas naturais e pelo calçadão de 4,5 quilômetros de extensão, onde durante todo o dia é possível observar moradores desenvolvendo diversas atividades esportivas e de lazer.

O calçadão foi construído com pedras brancas e pretas, que seguem padrões geométricos, em toda a extensão. Atualmente, a Ilha constitui-se como um bairro residencial, que oferece várias opções de comércio, prestação de serviços e lazer, como clube, bares, boate e restaurantes, além da “balsa”, que interliga o bairro a outros, e atrativos que despertam a atenção do visitante, impulsionando o turismo e a geração de renda na região.

A margem da Ilha dos Araújos possui valor cultural e ambiental intrínseco, protagonizando um palco propício para apropriações simbólicas distintas e terreno fértil para a educação ambiental. O calçadão português não é apenas uma pavimentação de ordem urbana, caracterizando-se também como uma intervenção de grande valor patrimonial e paisagístico para o município.

Entre seus valores intrínsecos, destaca-se o de testemunho histórico, que recria diferentes formas de intervenções e apropriações humanas do espaço, e o valor paisagístico, já que a Ilha dos Araújos pode ser considerada um paraíso exuberante, do ponto de vista da paisagem natural. A singular composição, banhada pelas águas do rio Doce, cuja margem guarda os arvoredos mais antigos da cidade, oferece um belo cenário para quem passa pelo local. Nas várias extremidades da Ilha se pode observar o pico da Ibituruna, destacando-se sobre as águas que circundam o bairro.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br