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Brasiliano e outra agenda

FOTO: Freepik

O articulista Stephen Kanitz escreveu certa vez um artigo interessante, mostrando a diferença entre as palavras BRASILEIRO e BRASILIANO. Ele diz que durante 500 anos fomos enganados, que esconderam de nós um dado importante. Que disseram e continuam a dizer que somos cidadãos brasileiros, nem todos, é lógico.

Escreve ele: “Esconderam todo esse tempo o fato de que o termo BRASILEIRO não é sinônimo de cidadania, e sim o nome de uma profissão. Brasileiro rima com padeiro, pedreiro, engenheiro, ferreiro, enfermeiro etc. BRASILEIRO era a profissão daqueles portugueses que vinham para o Brasil, ficavam alguns meses e voltavam com o ouro, prata e madeira; tiravam o que podiam, sem nada deixar em troca”.

Ao contrário do que os irlandeses fizeram nos Estados Unidos, nossos colonizadores não aportaram por aqui com a ideia de criar uma grande nação. Vieram, criaram as Capitanias Hereditárias, distribuíram terras a alguns apaniguados improdutivos, escravizaram, cobraram altos impostos e foram embora. Qualquer semelhança com os dias atuais será mera coincidência?

Nos deixaram boas influências, muitas, mas um país de personalidade resistente a mudanças estruturais, apesar dos avanços e de seu razoável desenvolvimento. Ainda vivemos uma era em que toda boa referência em tecnologias e universidades de ponta tem de ser buscada na Europa, EUA ou Japão. Como o país vai se organizar melhor, se continuarmos a viver sob a influência de políticos de conteúdo duvidoso, de papagaios de pirata, de enganos, promessas e superlativos descartáveis?

Kanitz avalia ainda que — “BRASILEIROS não veem o Brasil como uma nação, mas uma terra a ser explorada” —. São esses BRASILEIROS que se transformam nos desvios de amanhã; são os que sonham com a “boquinha pública ou privada” e levar vantagem em tudo.

Sendo assim, todo amante dessa terra deve se requalificar, se portar como um BRASILIANO, palavra que rima com italiano, com americano, com australiano ou coreano, do Sul, é evidente. BRASILIANO não é profissão, mas uma declaração de cidadania. Não dá para imaginar chamar um italiano de italieiro, um australiano de australieiro ou um americano de ameriqueiro, o que fatalmente diminuiria suas potencialidades.

O Brasil tem de reorientar suas prioridades. A primeira e principal é a educação de base de qualidade. O custo de construir escolas é muito menor do que não construí-las. A segunda seria investimento efetivo na melhoria da infraestrutura, já que sua falta mina a competitividade dos portos, hidrelétricas, de boas estradas e ferrovias. Mas essa prioridade não deve ser somente no discurso ou em obras inacabadas.

Uma agenda moderna, ao contrário de dinamizar a economia pelo topo, deve se orientar pela base da pirâmide. Os brasileiros têm pressa, querem se inserir num contexto mais dinâmico para resolver seus problemas a partir do avanço tecnológico. O país tem recursos para isso, mas a atual estrutura dos poderes da República não saiu ainda do século XX.

Mais do que qualquer outra nação do mundo, é aqui que pode surgir um novo sonho para o mundo, uma nova terra de oportunidades. O país tem de encontrar seu caminho, já que soluções para os entraves não virão de outras nações. Ao contrário de ficar inventando fatos inadequados à nossa cultura e realidade, já passou da hora de o Brasil assumir que quer mesmo é exportar soluções para o planeta.


(*) Crisolino Filho é escritor, advogado e bibliotecário | E-mail: crisffiadv@gmail.com | WhatsApp: (33) 9.8807-1877 | Escreve nesse espaço quinzenalmente

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