Desde os idos de 1717, sobrevive até os dias atuais a mística de uma santa negra encontrada por três pescadores na cidade paulistana de Aparecida, despertando paixões e provocando romarias aos montões àquela cidade. Religião à parte, cultura e turismo se fazem presentes, divulgando a cidade em todos os rincões deste mundão de Deus.
Na serra gaúcha, dentre tantas, as cidades de Canela e Gramado, cujas colonizações tiveram a presença europeia, recebem durante todo o ano milhares de turistas de nosso país e de outras partes do mundo, com seus vinhos e gastronomia deixando todos com água na boca.
Nas Minas Gerais, Ouro Preto, São João Del Rei, Mariana e Tiradentes se destacam na oferta de curiosidades e fatos históricos aos seus visitantes, em especial com a riqueza cultural do barroco mineiro, integrante da história maior de nosso país.
Campos de Jordão, no interior de São Paulo, cidade mais alta de nosso país e em que predomina um frio infernal, tem em seus teleféricos e chocolates suas atrações maiores, muito procurada e visitada pelos estrangeiros, porém com a marca e registro indelével de que nela se preparou a seleção de1958 para a conquista de nosso primeiro mundial.
Tais registros e inúmeros outros cabíveis, tem apenas o condão de desatar o nó, desbloqueando,liberando e constatando que a outrora Princesa do Vale – atual Rainha Envelhecida, tem encaixotada uma rica, interessante e palpitante história que a “traça está corroendo” e que o “tempo está levando”, sem registro algum, raríssimas exceções e interesses.
Nosso saudoso filósofo Tião “Carioca” Nunes cansou de afirmar, escrever e registrar que Valadares é a cidade do “JÁ TEVE”. E como teve coisas boas, valorosas, gratificantes e que deixaram saudades. Muitas saudades…
Nos dias atuais sua pobreza, inclusive de espirito, predomina. Faltam-nos lideranças, em todos os sentidos, sem exceção. Decliná-las ou enumerá-las, dá problema como ocorrido em oportunidade outra. Não gostam de ouvir ou serem contrariados. Se julgam deuses…
Nossos maiores desafios e mazelas são identificados, mapeados, debatidos e objetos de um sério planejamento objetivando enfrentamento ou optamos pela improvisação, amadorismo e prática de ações isoladas na busca da promoção pessoal?
Temos calendário anual de alguma coisa marcante de nossa cidade que atraia interesse e curiosidade de outras? Na cultura? No esporte e no lazer? Ou somente a exposição agro pecuária e o Trupico do Lalá? Nem mais a Festa da Fantasia e o GV Folia? Muito pouco…
Gerações que se foram muito construíram, fizeram acontecer. No carnaval o bloco dos Fabri, incluindo Arnóbio Pitanga e Ivo Tássis, acrescido do Nonô do posto, escolas de samba e desfiles de carros alegóricos, lotavam a avenida. E a seguir, clubes lotados.
No esporte, bons tempos do Ilusão Esporte Clube e FigueiraTênis Clube, passando pelos Colégios Ibituruna e Presbiteriano, desaguando no Goval, CEIJUV e Filadélfia. Especificamente do futebol, como não lembrar do Clube Atlético Pastoril e do Esporte Clube do Rio Fosse, ambos inativos e desaparecidos e que ao lado do Cruzeiro, dos Bancários, do DR e do Democrata Pantera, movimentavam nossas praças esportivas.
E a época de ouro dos dentes de leites – lideranças de Dolfino Italiano Chisté, Hormando Leocádio, Daniel Mathias de Almeida e uma renca de gente boa, com total cobertura e incentivo da mídia valadarense, despertando nossos adolescentes para a prática sadia do esporte. Verdadeiros educadores, com entusiasmo incomum. Inimaginável nos dias atuais.
Pois é meu caro Bolivar, nada sendo escrito, registrado ou armazenado, a traça vai corroendo e o tempo vai levando e páginas ricas e interessantes da história da antiga Figueira não sendo produzidas, deixam um vazio inconcebível para curiosos, saudosistas e integrantes de novas e futuras gerações. Oxalá que a Ibituruna não mude para Ipatinga. É só o que falta.
(*) Ex atleta
N.B. l –Lealdade, amizade, companheirismo, respeito e solidariedade passam distantes nas condutas dos técnicos de futebol profissional em nosso país. Já pensaram se os integrantes da classe impusessem uma quarentena de pelo menos dois meses para conversações com o Flamengo? Seus dirigentes pensariam duas vezes na repetição do deplorável e covarde procedimento adotado em relação a Filipe Luis.
N.B.2 – Será que vale a pena ser educado, ético, respeitoso, independente e competente como o é Filipe Luis? Provavelmente a Europa o espera para continuidade de suas atividades profissionais. É merecedor.
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