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Uma viagem ao passado

Inúmeras pessoas de boas memórias, masoquistas e saudosistas de tempos passados tiveram a oportunidade de uma boa reflexão, voltar mesmo ao passado, por ocasião do ainda marcante Dia de Finados. Dia consagrado e reservado a entes queridos, ainda que não pertencentes a um mesmo grupo familiar. Lembrar e reverenciar de quem fez o bem em sua passagem terrestre.

Transcorridos 87 anos de sua emancipação, Governador Valadares – a então Princesinha do Vale e hoje uma senhora Rainha Envelhecida tem em sua trajetória ricas histórias nem sempre divulgadas, registradas e reconhecidas. Dentre elas, a do COLÉGIO IBITURUNA e seus magnânimos padres espanhóis, encantadores, idealizadores, construtores, admirados e respeitados.

Percentual altíssimo de notáveis, de pessoas de bem, de doutos e cultos, de não cultos também, de figuras marcantes e importantes na caminhada de Governador Valadares passaram e vivenciaram as muralhas do Colégio Ibituruna, conviveram com mestres extraordinários- professor Belizário à parte, certo, minha gente.

E os Religiosos? Vejamos alguns que não mais estão entre nós: Padre Eulálio Lafuente – o Tio Eulálio, de simplicidade marcante, sempre utilizando o transporte público para se deslocar para a periferia da cidade em caráter de assiduidade, recusando ‘caronas’ e ofertas outras. Estabelecimento educacional no bairro Maria Eugênia recebeu o seu nome.

Teodoro Araiz Antônio – o Te Adoro, grande administrador e professor de matemática e que figurou no grupo fundador da Faculdade de Administração de Empresas. Em seus últimos anos de vida, vivenciou a Associação Santa Luzia com atuação marcante.

José Luis Tadeu, o disciplinador, aquele do apito na boca e que fechava o portão de entrada do ‘Colégio’ exatamente às 7.00H, independentemente dos gritos dos retardatários. Tempos em que a caderneta era valorizada, carimbada e pais eram convocados para esclarecimentos.

Juan Handers, aquele que não aceitava ‘cabeludo’ e ‘barbudo’ em suas aulas e muito exigia dos alunos que frequentavam barraquinhas na Catedral de Santo Antônio. Inaceitável para os tempos atuais, certo meu caro Bolivar?

Professor Antônio Silveira, religioso por excelência e de uma paciência de JÒ. Mais do que professor, desenvolveu inúmeras atividades administrativas no educandário. De confiança absoluta dos religiosos Escolápios.

Poder-se-ia falar de José Maria de Miguel, provavelmente ainda vivo na Espanha, do extraordinário Alberto Telechéia, de Ignácio de Nicolás e do incrível, descomunal mesmo, Gregório Valência, afora Juan Frias, também vivinho na Espanha.

Mas o mote deste papo é o Dia de Finados que se foi. Em sepultura do Cemitério de Santo Antônio, no centro da cidade de Governador Valadares, em sua lápide estão inseridos os nomes de Padre Matheus, Padre Eulálio, Padre Teodoro, Pare José Luis, Padre Juan Handers e Professor Antônio Silveira.

Sepultura de mármore de boa qualidade, em bom estado de conservação, limpa, porém, por volta de 15 h, sem o registro de colocação de um simplório ramo de flores ou de uma pequena vela a reverenciar a memória de nossos mestres queridos. Provavelmente esquecidos.

Esta é a realidade do mundo e tempos em que vivemos. Nos tornamos pessoas frias, indiferentes, de memória curta ou mesmo sem memória. Não temos tempo para determinadas coisas. As rotulamos como coisas supérfluas.

Uma pena. Alguns daqueles que nos educaram, nos assistiram, nos encaminharam na vida, nos deram atenção e carinho e que não têm em terras brasileiras entes queridos, bem que poderiam receber de todos nós, alguns minutos de silêncio, de reflexão e de agradecimento. Quanto ao ramo de flores e a velinha de cera, estavam à venda nas proximidades do cemitério.


(*) Ex atleta

N.B. 1 – Muito triste, deplorável mesmo os pronunciamentos de Émerson Leão e Oswaldo de Oliveira em evento patrocinado pela CBF no último dia 3. O elegante e competente Carlo Ancelotti merece respeito. Dizia minha saudosa vovó que inveja mata…

N.B. 2 – Aplausos para o procedimento e pronunciamento do técnico do Cabuloso: “penso em deixar o país em decorrência das arbitragens”. Falou e disse, com independência.

As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.

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