No coração do agro brasileiro, onde a tradição é passada de geração em geração, a pecuária se mantém como um dos pilares mais fortes da economia e da identidade rural. Porém, com os avanços tecnológicos e a chegada de uma nova geração ao campo, surge um ponto crucial: como promover a sucessão familiar na pecuária sem deixar para trás a transformação digital?
Tradição x Inovação: um dilema real
Entre os pecuaristas, é comum encontrarmos uma certa resistência às mudanças — e isso não é por acaso. A maioria cresceu aprendendo com os pais e avós, no boca a boca, no olhar atento ao gado, na prática do dia a dia. Métodos que funcionaram por décadas e ainda funcionam em muitas situações. Mas o cenário mudou.
Hoje, dados, rastreabilidade, inteligência artificial, softwares de gestão zootécnica, automação de cochos e drones já fazem parte da rotina de muitas proprieda-des rurais. Quem não acompanha essa transformação corre o risco de perder competitividade, mercado e, principalmente, sucessores.
O elo entre gerações é digital
A nova geração do campo — filhos, netos, sobrinhos dos pecuaristas — nasceu conectada. E, para que ela se sinta motivada a continuar o legado da família, é preciso abrir espaço para a inovação. Sucessão familiar não é apenas sobre passar a escritura da terra ou ensinar o manejo do rebanho. É também sobre permitir que o jovem traga novas ideias, novas ferramentas e visões estratégicas para o negócio.
Mas isso só será possível se houver diálogo, confiança e abertura por parte das gerações mais antigas. A transformação digital não vem para substituir o olho clínico do pecuarista, mas sim para potencializá-lo com dados, agilidade e decisões mais assertivas.
Digitalizar é perpetuar
Alguns pecuaristas já perceberam que digitalizar a gestão da fazenda é um passo necessário para garantir longevidade ao negócio. Quando se adota um sistema de controle de estoque, de desempenho do gado ou de análise de solo, por exemplo, a tomada de decisão se torna mais segura. E isso é essencial para uma transição de comando bem-sucedida.
Além disso, o uso estratégico de marketing digital — como as redes sociais, vídeos, e-commerce de genética e até leilões online — abre novas portas de relacionamento com o mercado e com o consumidor final, algo que os jovens têm mais familiaridade em operar.
O futuro da pecuária é multigeracional e digital
O campo está mudando, e a pecuária também. A resistência natural dos mais experientes é compreensível, mas não pode ser um obstáculo para a continuidade e evolução dos negócios rurais. A sucessão familiar deve ser um processo de construção conjunta, onde o respeito pela experiência se encontra com a força da inovação.
Aceitar a transformação digital não é abrir mão da tradição, mas garantir que ela siga viva — com mais inteligência, sustentabilidade e protagonismo no futuro do agro.
(*) Maria Tereza Magalhães, publicitária e pioneira na região em estratégias de comunicação e marketing para o agronegócio, é diretora da Agência Maria Tereza Agrocomunicação e influenciadora do agro.
As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.






