Mais uma copade nações africanas de futebol profissional acaba de ser realizada e Senegal, repetindo o feito da disputa anterior, venceu na prorrogação o chatíssimo time do Marrocos dentro de seus próprios domínios e se tornou então bicampeão da competição que reúne nomes consagrados do futebol mundial.
A finalíssima rendeu e continua rendendo manchetes para todos os gostos ao entendimento de que a arbitragem foi horrorosa, tendenciosa e se não fossem os ‘deuses do futebol’, o título teria ido para Marrocos. É que quase ao término da partida, questionada penalidade máxima foi assinalada a favor dos marroquinos, porém a cobrança foi bisonha e ensejou ao goleiro Mendy efetuar a defesa com tranquilidade.
Como castigo, a seguir, coube a Pape Gueye assinalar o gol do título dos senegaleses, levando alegria a um povo sofrido e que tem no futebol uma de suas maiores paixões, senão a maior. E em sua esquadra figuram personagens do mundo do futebol como Mendy, CheikSabaly, Ibraim Mbaye, Kalidou, Pape Gueye, Nadiaye e outros mais, comandados dentro das quatro linhas pelo inigualável Sadio Mané, estrela maior da esquadra africana.
Por ocasião da marcação da penalidade máxima favorável aos marroquinos houve revolta geral da esquadra senegalesa, com seu treinador determinando o abandono do campo de jogo por parte de seus atletas e no que foi atendido, exceção do capitão e líder da equipe, Sadio Mané.
Com altivez, personalidade, postura e caráter pouco comum no mundo do futebol atual, ainda que discordando da marcação da penalidade máxima, o capitão senegalês envidou esforços que culminaram no retorno de seus colegas ao gramado, sujeitando-se à esdrúxula cobrança. E deu no que deu: cobrança efetuada e defesa feita pelo goleiro Mendy.
De Sadio MANÉ muito se pode dizer, em especial pela sua exuberante passagem pelo Premier League em que brilhou com a jaqueta do Liverpool por inúmeras temporadas, em especial sob o comando do extraordinário alemãoKlopp, registrando-se ainda passagem anterior pelo futebol austríaco.
Seguiu-se transferência para o não menos poderoso Bayern de Munique onde atuou por duas temporadas, mandando-se a seguir para a Arabia Saudita para atuar ao lado de Cristiano Ronaldo. Por lá permanece, ganhando ‘alguns trocados’.
Um dos maiores ídolos do futebol de Senegal, senão o maior, Sadio Mané tem para com o povo humilde de seu país um carinho descomunal, fruto de quem conheceu e sabe muito bem o que é sofrimento e adversidades de um mundo cruel, marcado por desigualdades.
Entretanto, seu carinho para com seus compatriotas não se limita ao uso de palavras bonitas, cheias de efeito em busca de holofotes. É sintetizado através de atos concretos que visam o bem estar social de seus patrícios, em especial na área de saúde.
Condecorado em outras oportunidades pela FIFA, UEFA e Federações de outros países, afora premiações como futebolista em vezes que não são poucas, o gesto e conduta recentes de SADIO mostra para um mundo podre, frio, interesseiro e vingador, que é possível ser gente, ser humano, ser decente, compreensivo e disciplinado em todos os sentidos, ainda que discordando de métodos e procedimentos censuráveis.
Não custa sonhar. Uma passagem festiva de Sadio Mané por países das Américas, pelo Brasil em especial, em ciclo de palestras e exposições sobre o futebol e sua gente, nos faria um bem danado. E sem gritarias, apenas com o olhar. Teria e tem muito a nos ensinar.
Difícil seria levar para a plateia Oswaldo de Oliveira, Leão, Luxemburgo e inúmeros outros, afora a plêiade de dirigentes orgulhosos que temos. Quanto aos futebolistas, orgulhosos que são, poucos seriam receptivos. Não teriam tempo e disponibilidades.
Mas em nossos aglomerados, nas favelas, na periferia e nos estados mais sofridos de nosso país, Sadio Mané seria, a exemplo do que ocorreu no iníciode nossa colonização, mais um africano a mostrar e demonstrar para o brasileiro o que é ter um coração puro, um sorriso aberto e vontade de ver e fazer o outro feliz.
(*) Ex-atleta
N.B.1 – De Mauricio Mariante, integrante de grandiosa e tradicional família valadarense, recebemos puxão de orelhas pela não inserção de determinado nome de figura pública de nosso país na listagem de grandes líderes nacionais. Ficamos de consultar o Mario Roberto…
N.B.2–Abusos e excessos por parte de conselheiros de Corinthians e São Paulo ou cumpriram eles compromissos e obrigações assumidos quando eleitos? Exemplos que servem para reflexões por aqui?
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