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Protagonistas e coadjuvantes

Quando do surgimento do eldorado valadarense – cheio de riquezas, de pedras preciosas e da mica, tempos de Marcelo Melo e de muita gente ‘quase boa’, visualizavam-se nas principais lojas da cidade, em especial nas da Avenida Minas Gerais, colossais PRATELEIRAS de tecidos finos e da mais alta qualidade. Dali para um bom alfaiate, era um pulo.

No miserável futebol dos dias atuais seus mandatários e não os seus amantes, decidiram colocá-lo em prateleiras mundo afora, inclusive na terra de Cabral, deixando de lado seu antigo charme, seu encanto, seu glamour e suas peripécias. Inclusive acabando com os “geraldinos”, o mais fiel e fanático grupo de torcedores.

Em especial no mundo árabe – em outros locais, também, suprimidos direitos e prerrogativas, busca-se no futebol agradar à população com investimentos que se acreditavam impensáveis, mas que nada ou pouco representam para os ‘deuses do petróleo’. E a coisa vai se espalhando mundo afora. Vão tomando os clubes dos torcedores como se toma biscoito das mãos de crianças. Poucos ainda resistem.

Com as raríssimas exceções do que PELÉ fez nos EUA e ZICO no Japão, a formação de atletas – o trabalho na base, acabou sendo desfigurado com   imposição de uma legislação aos sonhadores e masoquistas – dirigentes de clubes amadores, sociais ou mesmo de pequeno porte, os desassistindo e retirando deles qualquer possibilidade indenizatória.

Surgiram os ‘tais ’investimentos’ em que só o dinheiro resolve, deixando de lado criatividade, vontade e a paixão que movia idealistas e sonhadores. 0 que se produzia em quantidade e qualidade, de forma espontânea, hoje virou artigo de luxo. E o pouco que se produz ou que se rotula, adquire-se com DINHEIRO.

Antigamente no ambiente familiar sonhava-se em proporcionar aos filhos condições de se tornarem doutores: médicos, engenheiros, advogados, psicólogos, dentistas etc.- Não era tarefa fácil. Vestibulares terríveis e custo altíssimo. Tem muita gente boa de Valadares que pode contar histórias de “alojamentos” ou “repúblicas” da capital do Estado e outras grandes cidades.

Nos dias atuais, ricos, pobres e remediados, o sonho dos familiares é verem os filhos se tornando atletas de futebol profissional – Neymar, Ronaldinho, Hulk e outros menos votados, dispensando rótulos e qualificativos de um profissional liberal.  O mundo mudou, meu caro Bolivar. Estão deixando a educação de lado.

Enfim, a realidade do futebol atual é ter sido ele transformado em mais um grande negócio em que se visa lucro, apenas lucro, deixando de lado a paixão e motivação outrora predominantes. Nele, não há lugar para ‘sonhadores’, idealistas e masoquistas. Danem-se todos.

Confirmada tal premissa, nas disputas futebolísticas dos tempos atuais, tem-se de um lado um minguado, diminuto e seleto grupo de clubes, em detrimento de um aglomerado de outros tantos, que insistem em remar contra a maré na busca de um lugar ao sol. Impossível diante do abismo que os separam.

Em eventos os mais diversos, no futebol também, criam-se expectativas, probabilidades e uma quase certeza de quem mais vai agradar, de produzir, de levar o público ao delírio e de mais concorrer para o seu êxito. PELÉ, Maradona, Doutor Sócrates, Paulo Roberto Falcão, ZICO, um tal de CASTILHO, Dirceu Lopes, Ziquita e outros tantos, assim o fizeram e muito bem.

Entretanto, a individualidade de tais atores só se tornaram possíveis, foram notadas e produziram resultados, em decorrência da presença e participação, ainda que mínima, de uma renca de outros não famosos, poucos conhecidos, porém indispensáveis para a obtenção do resultado.

No Brasil e possivelmente nas Américas, PALMEIRAS e FLAMENGO, com ou sem responsabilidades e mesmo projetos sólidos, estão pilotando c\arros de fórmula UM, enquanto os demais se limitam à utilização de carros nacionais. O que o futuro reserva para o futebol de nosso país, outrora o melhor do mundo e hoje…deixa pra lá.

Palmeiras e Flamengo se orgulham de serem os grandes PROTAGONISTAS do fute4bol praticado na Terra de Cabral e adjacências. E andam fazendo muito barulho, apoiados pela grande mídia. Aos restantes, resta a aceitação de serem meros COADJUVANTES. Mas.. se refletindo, havendo união, podem estes virar o jogo. Parem, pensem, planejem.


(*) Ex-atleta

Gilberto “Ziquita” de Souza Costa: por onde passou foi sempre protagonista.

N.B. 1 – Por demais conhecido o chavão de que “não se deve dar sopa para o azar”. Parece que Yuri Alberto não o conhecia ou não o levou a sério. Deu no que deu. Se atuasse sob o comando de Mestre Telê Santana ou seu discípulo Muricy Ramalho, jamais tomaria tal atitude.

N.B. 2 – A base brasileira vai de mal a pior. Empate frente ao México, derrota para Marrocos. Ainda usando fraldas, estão todos pensando e sonhando com a Europa.

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