O problema do trânsito em Valadares já passou da fase do alerta — virou rotina de risco. E não é por falta de sinalização, nem por desconhecimento da lei. É algo mais simples e mais grave: falta de educação.
Motoristas ignoram faixas de pedestres como se elas não existissem. Avançam sem reduzir, não dão preferência, não demonstram o mínimo de respeito por quem está a pé. O resultado disso não é teórico — já tem nome, já tem história, já tem vítimas. Mortes já foram registradas.
Nesta semana, a cena se repetiu de forma revoltante. Ao levar as crianças para a escola, dois motociclistas não apenas deixaram de parar na faixa — eles aceleraram. Aceleraram diante de pedestres. Aceleraram diante de crianças. Não é descuido. Não é distração. É escolha.
E quando a escolha é ignorar a vida do outro, o trânsito deixa de ser um espaço compartilhado e vira uma disputa perigosa.
Não falta informação. Todo mundo sabe que a faixa é do pedestre. Todo mundo sabe que é obrigatório parar. O que falta é consciência. Falta empatia.
Falta entender que do outro lado não está um obstáculo — está uma pessoa.
A pressa virou desculpa para tudo. Mas pressa nenhuma justifica transformar uma travessia em risco de morte. Chegar alguns segundos mais rápido não vale uma vida. Nunca valeu.
Se esse comportamento continuar sendo tratado como algo normal, a conta vai continuar chegando — e sempre da pior forma. Mais acidentes. Mais famílias destruídas. Mais vidas interrompidas por algo que poderia ser evitado com o mínimo: respeito.
Valadares não precisa de mais placas. Precisa de mais responsabilidade. Porque no fim das contas, o problema não é falta de conhecimento.
É falta de educação.
(*) Jornalista









