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Por que nos sabotamos?

FOTO: Freepik

A maioria de nós já viveu aquela sensação frustrante de querer muito mudar e, ainda assim, agir na direção contrária. Prometemos começar uma dieta, mas cedemos ao primeiro impulso. Planejamos estudar, mas pegamos o celular “só um minuto”. Dizemos que queremos mais tranquilidade, mas continuamos aceitando tarefas que nos sobrecarregam. Essa força invisível que parece nos puxar para trás tem nome: autossabotagem. Ela surge quando adotamos comportamentos — muitas vezes sutis e inconscientes — que nos impedem de alcançar aquilo que afirmamos desejar.

A autossabotagem não acontece porque somos fracos ou indisciplinados, mas porque, em algum nível, estamos tentando nos proteger. O medo do fracasso é um dos grandes motores desse mecanismo: se eu nem tento, não corro o risco de decepcionar a mim mesmo ou aos outros. Paradoxalmente, também pode existir o medo do sucesso. Afinal, se as coisas derem certo, talvez venham novas expectativas, cobranças ou mudanças para as quais não sabemos se estamos prontos. Em ambos os casos, o cérebro prefere manter o status quo — mesmo que ele doa — a encarar o desconhecido.

Outro fator importante é a identidade que construímos ao longo da vida. Se eu sempre me vi como alguém desorganizado, indisciplinado ou “que nunca chega longe”, qualquer tentativa de mudança pode soar estranha, como se ameaçasse uma parte de quem acredito ser. Além disso, o conforto do familiar exerce uma força surpreendente: mesmo quando nossa realidade é desconfortável, ela oferece uma previsibilidade que o novo não oferece.

Romper esse ciclo exige mais gentileza do que força. É preciso perceber quando estamos nos sabotando e perguntar o que, exatamente, estamos tentando evitar. Muitas vezes, não é a tarefa em si que assusta, mas o que ela simboliza. Começar pequeno ajuda, porque reduz a resistência interna e torna a mudança mais leve. E, acima de tudo, trocar a autocrítica pela autocompaixão abre espaço para avançar com mais honestidade e menos peso.

Quando entendemos que a autossabotagem é uma proteção mal calibrada — e não uma falha de caráter — conseguimos olhar para nós mesmos com mais humanidade e, assim, construir caminhos mais possíveis para a vida que queremos viver.


Psicóloga, pós-graduada em Neuropsicologia pela Unifesp | CRP 04/62350

As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.

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