Liberado por prazo indeterminado pela confraria do Bolivar e outras mais, nos interessamos ou passamos a ocupar parte de nosso tempo em pesquisas jurídicas ou mesmo nos deleitando sobre pérolas de programas esportivos, ainda que tenha que ouvir Vampeta, Roger,Neto,Casa Grande e outros menos votados. É o preço a pagar.
Vai, daí, que trombamos com assiduidade com o blogueiro e jornalista esportivo Ricardo Perrone Vasconcelos, o conhecidíssimo, engraçado e adoidado RICA PERRONE. Sem querer, querendo, passamos a nos interessar por seus comentários e análises, todos eles marcados pela independência, visão diferenciada, astúcia e perspicácia.
Atuando como jornalista freelancer, tem seus textos e comentários publicados nos mais variados veículos da mídia de nosso país, às vezes causando ferrenhas discussões de contrários e em outras recebendo aplausos de outros tantos.
Falando de tudo e de todos, de forma debochada, aborda temas polêmicos e não fica “em cima do muro” como a maioria, opinando com propriedade e visão diferenciada. Dada à vivência – está próximo dos 50 anos de idade -, faz comparações interessantes e procedentes, muitas vezes viajando ao passado e dele trazendo exemplos e ensinamentos.
Recentemente, nos casos e situações vividas por Philipe Coutinho e Vinicius Júnior, deu a cara à tapa e falou com coragem e independência uma série de verdades ignoradas ou suprimidas pela grande mídia, desnudando situações que merecem reflexões profundas.
Philipe Coutinho, atleta vencedor em todos os sentidos, consagrado mundialmente, provavelmente num gesto de gratidão pouco visto atualmente no mundo do futebol retornou ao Vasco da Gama, mas não conseguiu produzir em campo tudo aquilo que dele se esperava. Fatores físicos e emocionais, saúde mental e pressão por desempenho o levaram à desistência.
Vinicius Júnior, astro do Real Madrid e da seleção brasileira, continua mundo afora a enfrentar hostilidades em função da cor de sua pele em atos de racismos inaceitáveis, não cabendo falar se sua conduta marrenta concorre para tal.
Tais situações como inúmeras outras – a demissão de Herman Crespo pelo São Paulo e a contratação de Roger Machado para substituí-lo, a maneira pela qual foi demitido Filipe Luis no Flamengo, a contratação de Leonardo Jardim pelo clube da gávea, a briga generalizada no clássico Cruzeiro x Atlético, a demissão de TITE e outros fatos do momento, com propriedade e “pitada de sal”, são objetos de comentários e reflexões de nível elevado.
É cético e contundente quando aborda a celeuma envolvendo capacidade de nossos treinadores e os de lá de fora comprovando com números que os resultados são os mesmos, afora a situação de Abel Ferreira na Sociedade Esportiva Palmeiras com todo seu poderio financeiro. Faria o mesmo no Ameriquinha do Rio? O buraco é mais em baixo, finaliza.
Com independência ímpar, Perrone aborda nosso calendário, nossa extensão territorial, nosso clima, os deslocamentos de uma cidade para outra, desnecessidade de concentração para verdadeiros atletas de futebol profissional e o número razoável de partidas a serem disputadas anualmente por cada equipe.
Para tanto, dona CBF teria que promover ou buscar alterações profundas nas normas e legislações impregnadas no esporte brasileiro – no futebol em especial, objetivando um calendário razoável, índices de produções aceitáveis e outras melhorias e avanços possíveis.
Teríamos que iniciar na formação e escolarização de nossos dirigentes? Ditar normas nos trabalhos de bases de nossos clubes sem perder de vista valores éticos e morais? E a mídia raivosa e irresponsável, preocupadíssima em “derrubar” treinadores?
Perrone é cômico, é alegre, é debochado, fala o que pensa com propriedade, mas sabe que seu palavreado ‘rema contra a maré’. Sem amarras ou censura alguma, demonstra visão diferenciada dos bastidores do futebol brasileiro. Um sonhador, sonhando o sonho impossível.
(*) Ex atleta
N.B. l – Os mais antigos se lembram que, em 1965, também em um Cruzeiro x Atlético, o árbitro Juan de La Passion Artez expulsou, ao término da partida, todos os 22 atletas e mais alguns dirigentes, dentre os quais Marcelo Guzela e Airton Moreira. Em 2026, apenas um repeteco.
N.B.2 – Questão de um rítimo alucinado ou os atletas do Cabuloso não estão bem na parte física? A caída de rendimento no segundo tempo é escandalosa. E a zaga, no tocante às bolas altas/cruzadas? Ajuda aí Fernandão.
As opiniões emitidas nos artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores por não representarem necessariamente a opinião do jornal.









