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Herdeiros ou sucessores? O tema que vai definir o futuro da pecuária em 2026

FOTO: Freepik

A sucessão familiar deixou de ser um assunto distante e passou a ocupar o centro das decisões no agro. Em 2026, ela será um dos temas mais estratégicos da pecuária brasileira, não por tendência, mas por necessidade.

O campo mudou. A tecnologia avançou, a gestão ficou mais complexa e o perfil de quem produz também está se transformando.

Mesmo assim, um dado chama atenção: menos de 20% das fazendas brasileiras chegam à terceira geração sob o comando da mesma família.

Isso revela um problema claro, e cada vez mais urgente.

O agro tem herdeiros, mas faltam sucessores

Existe uma diferença que precisa ser dita com clareza: herdeiro não é sinônimo de sucessor.

O herdeiro recebe o patrimônio.

O sucessor assume a responsabilidade de fazer o negócio continuar, crescer e se adaptar ao futuro.

Hoje, o que se vê no campo é um desequilíbrio. Entre 2012 e 2023, a participação de jovens entre 18 e 29 anos no meio rural caiu 13%, enquanto o número de produtores mais velhos aumentou 12,7%. Ou seja, o agro está envelhecendo e rápido.

Isso não acontece por falta de interesse dos jovens, mas por falta de espaço, preparo e planejamento dentro das propriedades.

A sucessão travada é um risco real

Outro dado que acende o alerta: cerca de 80% das empresas rurais ainda são lideradas por seus fundadores.

Isso mostra o quanto a transição de comando ainda é adiada, muitas vezes por medo, insegurança ou falta de diálogo.

O problema é que, quando a sucessão não é planejada, ela acontece de forma abrupta.

A sucessão não pode ser tratada como herança. Ela precisa ser encarada como estratégia.

O papel da inovação nesse processo

Outro ponto fundamental é entender que o agro de hoje não é mais o mesmo.

A nova geração é digital, conectada e orientada por dados.

Tecnologias como inteligência artificial, gestão baseada em indicadores, automação e uso de dados no campo tornaram-se essenciais não só para produtividade, mas também para atrair quem vai assumir o negócio no futuro.

Quando a fazenda não evolui, ela deixa de ser atrativa.

E quando o jovem não se vê naquele ambiente, ele simplesmente vai embora.

Sucessão é crescimento, não ruptura

O Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne bovina graças à resiliência do pecuarista. Mas, daqui pra frente, só a resiliência não basta.

O futuro do agro depende da capacidade de: profissionalizar a gestão; planejar a sucessão com antecedência; integrar gerações; unir tradição com inovação.

Sucessão não é sobre sair de cena.

É sobre preparar o terreno para que o negócio continue crescendo.

2026: o ano da virada

A sucessão familiar será um dos temas centrais da pecuária em 2026.

Quem entender isso agora estará à frente.

Quem ignorar, corre o risco de ver décadas de trabalho se perderem.

Porque no agro, mais importante do que herdar a terra, é saber conduzir o futuro.


(*) Maria Tereza Magalhães, publicitária e pioneira na região em estratégias de comunicação e marketing para o agronegócio, é diretora da Agência Maria Tereza Agrocomunicação e influenciadora do agro.

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