No ano de 1.958 uma desacreditada seleção brasileira encantou o mundo e pela vez primeira nos tornamos campeões mundiais de futebol. Dentro da quantidade e qualidade de atletas, tínhamos Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Dino Sani, Didi, Garrincha, Vavá, Pelé, Mazola, Zagalo, Dida, Pepe, sob a batuta de Vicente Feola.
Em 1.962, com poucas mudanças e caminhando para o envelhecimento, mesmo com a definitiva contusão de Pelé no limiar da disputa, repetimos o feito e nos tornamos bi campeões. Mané Garrincha se encarregou de tudo fazer, inclusive gols. No comando, Aimoré Moreira.
Em 1,970, na primeira copa transmitida diretamente pela TV, encantamos o mundo e fizemos história, eis que contamos com grupo de extraordinários futebolistas em que figuravam Carlos Alberto, Brito, Piazza, Clodoaldo, Rivelino, Gerson de Oliveira Nunes, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Paulo César Cajú, sob o comando técnico de Mário Jorge Lobo Zagallo.
Em 1.994, nos EUA, uma esquadra burocrática, unida e muito bem comandada pela dupla Carlos Alberto Parreira e Zagallo alcançou mais um título, vencendo os italianos na cobrança de penalidades máximas. Quem não se lembra do “vai que é sua Tafarel?”. Querendo ou não querendo, liderança de Dunga, sem medo de ser feliz. E ainda, Bebeto e Romário.
Em 2.002, sob a batuta de Felipe Scolari, nosso último título mundial. Ronaldo Nazário, voltando de graves contusões fez o “diabo” e Rivaldo não deixou por menos. Noves fora Ronaldinho Gaúcho. Plantel unido, de futebol não exuberante, porém com vontade e objetivo claro.
Afora a fatalidade de 1.950 e o desastre de 2.014, há de se ter em mente que Copa do Mundo pode-se ganhar ou perder por se tratar de disputa de curta duração e de poucos jogos. Exemplificando, em 2.018 e 2.022 perdemos e poderíamos ter vencido.
Aproxima-se a realização de mais uma Copa do Mundo com número exagerado de participantes, obviamente para atender inúmeros interesses, alguns inconfessáveis, eis que o futebol deixou de ser simplesmente um esporte para se transformar em um grande negócio. Dura realidade de fazer entristecer os saudosistas.
Sem olhar apaixonado, de fácil constatação que França, Espanha, Argentina, Alemanha e talvez Portugal, afora algumas outras seleções intermediárias da Europa, estão, e muito, à nossa frente, inclusive com grupos de atletas já definidos. Por aqui, não. Pelo contrário, há indefinições, dúvidas, incertezas e o que é pior, uma tentativa sórdida e desenfreada da mídia em interferir no trabalho de quem está à frente da seleção que já foi canarinha.
Craques verdadeiramente comprometidos não os temos. Há alguns bons jogadores que brilham lá fora, mas que não conseguem produzir com a camisola da seleção brasileira. Uma pena. E temos carências de arrepiar. E de longe, à distância, tem-se a impressão de que alguns não têm prazer em defender as cores da seleção de seus país. Descompromissados e indiferentes à paixão do torcedor brasileiro.
Afora falta de tempo razoável para preparação – quem não se lembra de Poços de Caldas, Campos de Jordão e Serra Negra em 1958 – há uma carência danada de futebolistas para determinadas posições. Muita gente famosa que nada produz. E os integrantes da mídia querem vender a ideia der que estamos entre os favoritos. Absolutamente não. Corremos por fora.
Quanto ao treinador, um vencedor que caiu do céu, começa a ser defenestrado pela mídia com cobranças que não se justificam. Querem levar o tal de Neymar para passear nos EUA, México e Canadá e brincar de jogar futebol por alguns minutos de cada partida. Bando de irresponsáveis.
Enquanto Ronaldo Nazário em 2.002 e ZICO em 1.986 foram exemplos de dedicações, entusiasmos e comprometimentos na busca de recuperações de graves lesões que proporcionaram a ambos as condições para participação de tais mundiais, NEYMAR é o exemplo negativo de vontade e comprometimento. Inimaginável vê-lo no grupo de2.026.
Oxalá que dona CBF não se curve aos críticos e interesses outros e, independentemente do resultado do mundial, renove o contrato e mantenha por aqui por mais alguns anos a figura do competente, educado e simpático técnico italiano Carlo Ancelotti. Tem independência e caráter para buscar o nosso retorno à prateleira de cima do futebol mundial.
(*) Ex atleta
N.B. l –Viajando no passado e assistindo documentário sobre a participação do Brasil na copa de 58, a constatação de quantos lançamentos distantes da autoria de GERSON redundaram em gols. Hoje não temos em nosso futebol quem faz lançamentos como o CANHOTA.
N.B.2 –O torcedor é brincalhão e irracional. Pedir a presença do tal de Neymar para integrar a seleção na copa que se avizinha é irracional. 0 cara está se arrastando dentro de campo e sem condições parta participar de uma disputa de tal envergadura.
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