A cidade que já foi princesa vê chegar ao seu término mais um ano corrido ocasionando balanços, reflexões e análises do que foi feito, do que ficou por fazer, daquilo que está em desuso ou mesmo caindo no esquecimento. Na área esportiva, mais um ano sem o saudoso campeonato de futebol amador em suas duas divisões.
Querer é poder… Se não temos mais o Vila, se não temos mais o Inter, se não temos mais a Ferroviária, se não temos mais o Ibituruna, se não temos mais o Bangú, se não temos mais o Santa Helena, se não temos mais o Everest, se não temos mais o Palmeiras, etc.etc., o que ainda temos, nos restou ou mesmo surgiu?
Os menos avisados dizem ou podem dizer que há sim, todos os anos, uma série de ‘torneios’ com razoável participação, patrocínio e promoção da Secretaria Municipal de Esportes. Falta-lhe legitimidade para promover campeonatos oficiais e quando muito, o que é salutar, pode promover TORNEIOS.
Tem-se na cidade uma LIGA AMADORA do esporte mais popular, está ela em funcionamento, dispõe de uma sede própria e uma bela praça esportiva, contando com diretoria legitimamente eleita pelos clubes filiados. 0 que lhe falta ou lhe tem faltado?
Aos olhares dos curiosos a constatação de contínua movimentação esportiva em todos os nossos campos e praças esportivas aos sábados, domingos, feriados e mesmo à noite em dias úteis, eis que há campos servidos de iluminação apropriada pata tal. Há movimentação esportiva de clubes e de grupos de pessoas. Inclusive com a presença de trio de árbitros, logo…
É bem verdade que no passado a mídia cobrava, incentivava, provocava, agitava e fazia um fuzuê danado em nossas competições esportivas, no futebol em especial. Ah, quantas saudades de Tião Carioca Nunes, Beto Teixeira, Izequias Silva, Ademir Cunha e outros tantos. E dava um ibope danado. O boi berrava, a cobra fumava, a vaca tossia e o coro comia.
E grande parte de extraordinários dirigentes não mais estão entre nós e, alguns remanescentes, deixaram a nau. A idade chega para todos e se aplica aos últimos, certo MairsonSiman, Arlindo Gomes, Josino Almeida, Cesário, senhor Antônio, Viterbo, Nim Inácio e outros mais?
Quanto aos primeiros, em quantidade e qualidade, não custa enumerar César de Assis, Almyr Lordes, Joaquim Inácio, Velho Marcos, Clementino Cadete, Feca Barbosa, Geraldo Maringá, Serafim Leiteiro, Anísio Costa, Ubiracy de Brito, João Borreira, Mister João Rosa, DolfinoChisté, Hormando Leocádio e uma renca danada de gente da melhor qualidade.
Renovação é palavra e procedimento chave em todos os setores da vida mundana. Estamos em falta na política, na liderança comunitária, na esportiva e em qualquer outro tipo de atividade humana. Convivemos com valores arcaicos, superados e que se acham… pobres de espírito.
Os atuais mandatários e dirigentes do futebol amador da ‘terrinha’ precisam sacudir a poeira, darem a volta por cima e buscarem, com dignidade e correção, sem subserviência alguma, condições que proporcionem a volta de nossas disputas futebolísticas oficiais locais. Para tudo na vida tem jeito. Com sabedoria, humildade e dedicação.
Regularize-se meia dúzia de clubes ou se programe para tal, objetivando o retorno das competições esportivas oficiais para o ano vindouro de 2.026. Há de se conscientizar quem tem material esportivo, se sujeita a pagamentos de aluguel de campo e arbitragem e ainda custeia a cervejota depois das partidas. As despesas do oficioso não são menores do que o oficial. Pelo contrário, na última há a possibilidade de ajuda/patrocínio.
A entidade dirigente do futebol amador pode sim, via convênio, contar com auxiliares da Secretaria Municipal de Esportes de nossa cidade, não necessariamente ajuda financeira, mas sim com pessoas qualificadas, interessadas e que têm amor pelo nosso futebol amador.
O futebol amador de Governador Valadares, deletado de nossa agenda futebolística nos últimos anos, pode e deve voltar com toda pompa no próximo ano, independente de ser um ano eleitoral. Apenas mera coincidência. Mas qualquer ajuda sadia será bem recebida.
(*) Ex atleta
N.B. 1 – O péssimo exemplo de Vini Júnior ao ser substituído por ocasião do clássico Real x Barça, atesta e confirma que nas divisões de base do futebol brasileiro, pouco ou quase nada se educa…
N.B.2 –A tragédia do Ninho do Urubu, por decisão do Poder Judiciário do Rio de Janeiro, desnuda uma realidade inconteste: “sob o manto da legalidade, injustiças são praticadas…”






