Crepúsculo, ostracismo e descarte

“Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo…” era o bordão inesquecível de quem se deliciava com as narrações esportivas de Fiori Gigliotti nos finais das transmissões de futebol, simbolizando o apito final, a conclusão da emoção e o encerramento do espetáculo.

Na vida dos mortais, nem sempre nos damos conta de que crepúsculo, ostracismo e descarte são acontecimentos corriqueiros eprevisíveis, ainda que regra geral tudo fazemos para ignorá-los e acreditando ou vendendo a imagem de que são ocorrências pontuais, plenamente enfrentáveis. Ledo engano. Há de se prevenir, planejar e evitá-los. As dores são terríveis.

Está no dicionário que CREPÚSCULO representa o declínio, a decadência, o fim de um período ou a proximidade da ruina. Nada mais do que a transição entre a luz e a escuridão, admitindo-se o fim da vida, de um ciclo ou mesmo de uma carreira. Que coisa…, será que se aplica também aos futebolistas e políticos?

Quanto ao OSTRACISMO, nada mais é do que uma forma de exclusão social, política ou intelectual, implicando em isolamento, rejeição, ou mesmo esquecimento imposto a uma determinada pessoa ou um agrupamento delas. Filme antigo? Muito presente na atualidade de um mundo por demais competitivo.

Em relação ao DESCARTE, nada mais é de que ato ou efeito de se deitar fora alguma coisa que não tem mais serventia ou não se deseja mais. Jogar fora, livrar-se de algo inútil, não mais desejado. Prazo de validade vencido.

Infância, adolescência e juventude são fases da vida em que, tendo-se uma família estruturada, opera-se a formação positiva do ser humano para a vida mundana em que uma boa educação é ou pode ser decisiva para sobrevivência, realizações, conquistas, consagrações, sucessos e cumprimento da missão terrestre.

Ausente família estruturada e diante de mazelas de todos os tipos, inclusive institucionais, pode ocorrer a deformação do caráter e de outros valores do ser humano, com implicações diretas numa caminhada cheia de obstáculos, adversidades e desafios.

Independente da atividade pública ou privada, o ser humano caminha pela vida e às vezes não se dá conta de que a idade chega para todos, o prazo de validade idem, desde que não recolhido pelo Criador do Universo. Não se prepara e não é preparado para os percalços próprios.

Desatento ou mesmo vaidoso, orgulhoso e prepotente, não percebe ou se mantém indiferente ao que passa a seu redor e no universo em que atua. Não se dá conta do crepúsculo que dele se apodera ou mesmo de procedimentos outros de terceiros, inicialmente o isolando, culminando com sua exclusão integral. Coisas da vida, que podem ser minimizadas.

Mas, porém, todavia, contudo, entretanto, ser DESCARTADO com frieza incompreensível e sorrateira, é inaceitável, revoltante mesmo e provoca reações as mais diversas. Há de se ter uma fé inabalável no verdadeiro DONO DO MUNDO, em tais situações.

Uma boa formação moral, sólido alicerce familiar, boas amizades, consciência tranquila, caminhada serena e certo do dever cumprido – o decantado enunciado bíblico de “ter combatido o bom combate”, certamente ajuda em muito a enfrentar tais adversidades.

E se não for pedir muito, apegar-se àoração e conduta de São Francisco de Assis, consolando ao invés de ser consolado; procurando compreender, ao invés de ser compreendido; ao contrário da discorda, buscar sempre a união e se houver ofensa, procurar levar o perdão. A felicidade depende de todos nós.

Entretanto, ser DESCARTADO machuca e revolta demais. Às vezes não encontramos respostas para os procedimentos adotados, principalmente quando a história registra conquistas em que não faltaram mãos dadas, cumplicidade, sangue, suor e lágrimas. Vida que segue.


(*) Ex atleta

N.B. l –Incríveis as insistências, pressões, insinuações e forçação de barra para que o tal de Neymar seja convocado e faça parte do grupo de futebolistas brasileiros na próxima copa do mundo. O ‘cara’ está se arrastando em campo…

N.B.2 –A iniciativa da Confederação Africana de Futebol em “surrupiar” o título de Senegal comprova que o futebol tomou rumos abomináveis. Se o árbitro deu sequência à partida após o retorno dos atletas senegaleses, o correto seria confirmar o resultado do campo de jogo. Quem sabe dona FIFA coloca as coisas em seu devido lugar?

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