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A urgência do autocuidado

FOTO: Freepik

Cuidar da mente é como cuidar de um jardim: exige atenção constante, regas diárias e a retirada de ervas daninhas que, se ignoradas, podem sufocar até as flores mais resistentes. No jardim da nossa vida, cada pensamento, emoção e escolha é uma semente. Se cultivamos apenas a pressa, a cobrança e a autocrítica, colhemos um terreno árido. Mas, se semeamos momentos de pausa, afeto e autocuidado, a paisagem se torna mais leve e acolhedora.

Nos últimos anos, falar sobre saúde mental deixou de ser tabu e passou a ser necessidade. A correria diária, as metas que parecem inalcançáveis e a cobrança interna de sempre “dar conta de tudo” transformam muitas pessoas em equilibristas de um circo invisível: com um sorriso no rosto, mas carregando, lá dentro, o peso da exaustão.

A Organização Mundial da Saúde aponta que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão e cerca de 264 milhões com transtornos de ansiedade. Números que não são apenas estatísticas, mas vozes silenciosas pedindo ajuda. E a psicologia nos lembra: cuidar da mente não é luxo, é sobrevivência.

A boa notícia é que, assim como em um jardim, não precisamos mudar tudo de uma vez. Pequenos gestos fazem diferença. Respirar fundo quando o coração dispara, reservar cinco minutos para ouvir uma música que acalme, fazer uma caminhada para clarear os pensamentos, dormir cedo e, principalmente, aprender a dizer “não” quando o corpo e a alma já não aguentam mais.

Buscar ajuda profissional também deve ser visto como um ato de coragem, não de fraqueza. É como chamar um jardineiro experiente quando as plantas murcham e não sabemos por onde começar. A terapia oferece ferramentas, reorganiza o solo e ensina a lidar com as mudanças do clima emocional que todos enfrentamos.

No fim das contas, saúde mental é sobre equilíbrio. É sobre aceitar que haverá dias de sol e dias de tempestade, mas que ambos fazem parte do ciclo da vida. Porque não existe vida plena sem uma mente bem cuidada. Cuidar de si mesmo é o maior ato de amor — e talvez o mais revolucionário dos nossos tempos.


(*) Psicóloga, pós-graduanda em Neuropsicologia pela Unifesp – CRP 04/62350

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