REDAÇÃO – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Virginópolis, denunciou dois homens acusados de matar as ex-companheiras em Santa Efigênia de Minas, no Vale do Rio Doce. Os crimes ocorreram nos dias 2 e 27 de junho deste ano e, segundo o órgão, teriam sido motivados pelo inconformismo dos suspeitos com o fim dos relacionamentos.
Os dois denunciados responderão por feminicídio praticado em razão da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica e familiar. As denúncias apontam ainda as qualificadoras de emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.
Em um dos casos, a vítima e o acusado mantiveram um relacionamento por cerca de nove anos. No outro, a união teria durado aproximadamente 35 anos.
Perseguição e morte a tiros
O primeiro crime ocorreu no dia 2 de junho. Conforme a denúncia apresentada pelo MPMG, após sair de casa para levar o filho mais velho à escola, a vítima, Eliziane Gomes Andrade, de 22 anos, foi perseguida pelo ex-companheiro pelas ruas de Santa Efigênia de Minas.
Durante a perseguição, o homem efetuou um disparo de arma de fogo, que não atingiu a mulher e acabou acertando um veículo estacionado em uma garagem. Na tentativa de escapar, a vítima correu até um estabelecimento comercial em busca de ajuda.
Segundo o Ministério Público, o acusado seguiu a ex-companheira até o local e, ao encontrá-la encurralada, efetuou um disparo contra a cabeça dela. Depois, teria se aproximado e feito outros dois disparos contra a vítima, que já estava caída.
Após o crime, o homem fugiu. O laudo de necropsia apontou que a morte ocorreu em razão de politraumatismo provocado por disparos de arma de fogo.
Ainda de acordo com o MPMG, equipes policiais localizaram o acusado em Governador Valadares durante uma operação de cerco e bloqueio. Na abordagem, ele teria confessado o crime e indicado o local onde havia escondido o revólver calibre .38 utilizado na ação. A arma foi localizada e apreendida em uma área rural de Sardoá.


A denúncia também incluiu a qualificadora de perigo comum, sob a justificativa de que os disparos teriam sido realizados em via pública e dentro de um estabelecimento comercial, expondo terceiros a risco.
Antes do feminicídio, a vítima havia registrado boletim de ocorrência relatando ameaças de morte feitas pelo ex-companheiro. O MPMG informou que medidas protetivas de urgência haviam sido concedidas em favor dela.
Ataque dentro de residência
O segundo crime ocorreu no dia 27 de junho. Segundo o Ministério Público, o acusado teria planejado a ação e ido até a residência da ex-companheira, Maria Ducarmo Almeida, de 59 anos, surpreendendo a vítima enquanto ela ainda estava com roupas de dormir.
De acordo com a denúncia, o homem teria iniciado os ataques com golpes de faca no corredor de acesso à entrada da casa e à garagem. Na tentativa de fugir, a vítima correu até a cozinha do imóvel, mas teria sido alcançada pelo agressor, que continuou os golpes em diferentes partes do corpo.
O laudo de necropsia indicou que a morte ocorreu por choque hipovolêmico (hemorrágico), provocado por politraumatismo perfurocortante.
Para o MPMG, o crime configura feminicídio por ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar e por estar relacionado ao término do relacionamento, que teria durado cerca de 35 anos.
A denúncia também aponta as qualificadoras de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Conforme o Ministério Público, a mulher teria sido surpreendida sozinha e em situação de vulnerabilidade, sem possibilidade de reação.
Ainda segundo o MPMG, durante a audiência de custódia, a prisão em flagrante do acusado foi convertida em prisão domiciliar. Após manifestação do Ministério Público, a Justiça decretou a prisão preventiva do homem, que foi cumprida nesta terça-feira (14).
















